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Ponto de Vista: Globo, invejada e nunca igualada?

Outro dia estava conversando com uma mulher, acredito que ela tenha entre 45 e 50 anos. Falávamos sobre TV.

Ela me disse que em sua casa tem uma antena que pega 200 canais. Passa por todos, e, mesmo com tantas opções, sempre acaba voltando para a Globo.

Não, não é uma fanática. Revelou que por diversas vezes tentou assistir uma telenovela em outras emissoras ou se apegar em outro telejornal. Porém, vem aquela velha história: um dia a novela ta no horário do jornal, o jornal no horário da novela e assim por diante.

E ela me contou mais. Tem um filho que fala um monte sobre a Globo e afirma com todas as letras não passar pelo canal. Não apenas isso: vive brigando por ela fazer o contrário.

Eis que dias atrás ela passou pela sala e o filho estava vidrado assistindo ao último capítulo de Cama de Gato. “Ué, não é você que não assiste a Globo e ainda briga comigo?”, ela questionou. “Mas é o último capítulo da novela!”, foi o que ele respondeu. “Último capítulo ou não, você está vendo a Globo”.

Eu também já passei por isso. Anos atrás a emissora que eu mais assistia era a Record. Comecei com A Escrava Isaura, passei pela inesquecível novela Essas Mulheres e o jornalístico que até hoje faz falta na TV, o Tudo a Ver. Fiquei ali basicamente enquanto Prova de Amor era assistível. Tiago Santiago pirou o cabeção e inseriu cenas de violência e perseguição no folhetim enquanto a Record decidiu que esse era um jeito fácil de conquistar audiência e apostou no “formato” em quase toda a programação.

Fora isso copiou aquilo que nesse mesmo período estava quebrando o SBT: a falta de respeito pelo telespectador. Assim como essa mulher, voltei para a Globo.

E é isso que vem acontecendo nesses 45 anos. Todo mundo questiona o monopólio global e o fato de existirem outras opções no Brasil, contudo não apenas o telespectador escolheu a Globo, o mercado publicitário também é dominado pela dita poderosa.

Certa vez Faustão disse que a Globo não é perfeita, mas era quase. Perfeita ela não é, nem existe a perfeição. Tem defeitos, erra, abafa o caso e volta a acertar. A questão é que erra em quantidade mínima quando comparada às concorrentes.

A Record passou o SBT porque o Silvio Santos deixou. Tentou se aproximar da emissora carioca copiando seu jeito de fazer TV. Tropeçou, se perdeu pelo caminho e voltou a brigar com o SBT.

Sabe quando você vai ao supermercado e tem aquele produto de uma marca famosa que é mais caro e você opta por aquele que é quase igual? Sua família sempre reclama até o momento em que você decide que compensa pagar mais caro e levar o original.

E é bem isso: enquanto as concorrentes forem administradas por incompetentes que não saibam dar personalidade a suas empresas e fôlego para se manterem após um sucesso, a Rede Globo vai continuar reinando soberana.

E quer saber? Merecidamente.

Portanto, para as concorrentes resta fazer uso de um antigo slogan da emissora: invente, tente, faça diferente. Enquanto isso não acontecer o atual da Globo vai seguir fazendo sentido: a gente se vê por ali.

* por Endrigo Annyston

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