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Ponto de Vista: A importância do novo jornalismo na TV

Por Wander Veroni*

No senso comum, as pessoas têm uma visão muito glamurosa do jornalismo. Talvez, seja pela visibilidade que a profissão oferece para alguns profissionais. Eu disse, ALGUNS. Alguns mesmos. Do outro lado da bancada, existe um trabalho de produção árduo e que, geralmente, paga muito mal e não é tão valorizado quanto quem coloca a cara na frente das câmeras e/ou a voz no microfone.

O trabalho de produção é uma porta de entrada para muitos profissionais se lançarem no mercado – e uma escola importante, sem sombra de dúvidas. Produzir, apurar, redigir e editar exige um esforço criativo gigantesco e uma luta contra o tempo para encontrar boas histórias.

Na contramão do glamour, um programa que começou como quadro no “Fantástico” ganhou o seu espaço semanal no horário nobre do Plim-Plim, o “Profissão Repórter”. Nele, o veterano Caco Barcellos comanda um grupo de jornalistas iniciantes para a produção de programas especiais, a partir do olhar diferenciado de uma pauta central.

Nem precisa dizer que o programa é obrigatório para estudantes e profissionais da área. Elogiar o “Profissão Repórter” é tão rotineiro que não é nem “puxação de saco”: virou constatação. Já para o público, ele é tão ou mais importante, por ser um meio que mostra ao telespectador os bastidores da notícia, a ética e a criatividade que o repórter precisa ter para trazer à notícia a novidade e a informação bem apurada.

No lugar do glamour, entra o trabalho. Coisa que precisa ser reforçada no Jornalismo. Em um momento que se discute – infelizmente, a exigência do diploma (ou não) do jornalismo, o “Profissão” é uma prova viva que o jornalismo não é só técnica, mas também conhecimento científico e prática.

Outra grata surpresa das produções que estrearam nesta nova temporada da TV aberta foi o “A Liga”, da Band. Apesar do programa trabalhar com a linguagem de documentário – e não ser considerado, do ponto de vista técnico, como jornalístico, a atração disseca a informação e coloca os apresentadores para viverem a pauta de forma muito viceral, ao lado dos personagens.

O “A Liga” ainda mal começou a primeira temporada, mas já podemos ver que a Band acertou a mão ao comprar o formato e ao colocá-lo, de forma inteligente, no horário que antecede o “Profissão Repórter”, na Globo. Para quem gosta desse gás do novo do jornalismo, a noite de terça-feira – pelo menos na TV aberta, é uma “salvação” que se transformou em palco consolidado para a informação. Viva o novo jornalismo na TV!

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Perfil: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.

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