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Ponto de Vista: Incertezas na grade da TV aberta

Por Wander Veroni* No post da semana passada falamos sobre os 45 anos da Rede Globo. A emissora carioca é conhecida pelo público por ter horários fixos na sua grade de programação tradicional, como por exemplo as atrações do horário nobre. Mesmo que não se acompanhe nenhuma novela do “Plim-Plim”, você sabe que depois do Jornal Nacional passa a novela principal da “Vênus Platinada” há algumas décadas. TV é hábito. E não adianta fugir disso, porque o telespectador precisa se identificar – como já diziam Walter Clark e Boni quando implantaram o Padrão Globo de Qualidade, na década de 1970.

Não por acaso, é muito comum as pessoas se programarem – por mais incrível que pareça, a partir de um programa de TV. Tenho uma amiga que só sai de casa depois que a novela das oito acaba. E não adianta falar ou argumentar que ela se programa totalmente por causa da novela. Mas, porque eu voltei a falar da Globo?

É para, justamente, fazer essa comparação: nas outras emissoras é quase impossível assistir ou acompanhar um programa em um determinado horário. Quem não se lembra da grade voadora do SBT há uns tempos atrás? Depois de perceber o tamanho do erro, finalmente, hoje a emissora de Silvio Santos tenta, aos prantos e barrancos, manter uma grade estável.

E mesmo com toda essa experiência negativa no SBT – e o exemplo de sucesso da programação tradicional da Globo, as outras emissoras de TV ainda não aprenderam o básico: criar hábito no telespectador. Por favor, não me interprete errado: não estou falando que a programação da Globo é a melhor, mas sim o fato dela ser tradicional, e do público saber que pode seguir um programa em um determinado horário e que ela não vai passar o Pica-Pau de uma hora para outra, só para dar mais audiência.

Nessa semana, vimos várias emissoras se orgulharem na mídia ao falar que mais uma vez vão mudar tudo de horário. O telespectador que se vire para assistir a novela infanto-juvenil que passava no horário nobre e que agora passa a ser exibida de manhã, ou do programa que era para passar às 23 horas e só começa por volta da meia-noite.

Não. Sinceramente, cansei. Simplesmente paro de assistir uma emissora quando ela muda um programa de horário ou acha mais fácil todo mundo colocar seriado às 21 horas só porque está dando audiência para B e C. Me poupe! Esse ano, por exemplo, parei de assistir “O Aprendiz” na TV aberta, e vejo o episódio anterior na íntegra pela internet. Desse modo, não passo raiva pela falta de tradição de horários da grade da emissora em que ele é veiculado.

A TV aberta está em crise. Todos os sucessos de audiência dessa década foram de formatos importados dos gringos. Aonde está a criatividade da TV aberta brasileira? Os nossos produtores não são capazes de criar novos formatos ou atrações? Será que a medição de audiência emburreceu a TV ao invés de incetivá-la a brigar por melhores posições na preferência do telespectador? A resposta está nas incertezas da grade da TV aberta e na falta de respeito ao telespectador. É aquela velha história: a pouca prática está fazendo escola…o que é uma pena.

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* Perfil: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.

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