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Os acertos da novela Velho Chico

Velho Chico poderia estar perto dos 35 pontos de audiência se Luiz Fernando Carvalho tivesse optado por uma direção mais tradicional e, nem por isso, menor como em Renascer e O rei do gado, dirigidas pelo próprio. A novela do Benedito é bela, mas densa e uma direção mais contemplativa, mais leve, daria um tom mais ameno e mais palatável à trama. Mas o diretor tem um gênio forte e não sei se abrirá mão do seu atual estilo, mesmo que seja para o bem de Velho Chico, que mesmo não agradando a todos segue com uma audiência um pouco maior que suas duas antecessoras. 
Velho Chico é maior que seus defeitos. Luiz Fernando Carvalho e equipe têm um grande mérito: o elenco. Foi dada oportunidade a muitos atores talentosos e desconhecidos do público que dificilmente apareceriam em uma novela das 9 dirigida por outra pessoa, muitos talentos do nordeste que se não fosse pela ousadia do diretor não teríamos o prazer de ver na tela da Globo em seu principal horário de novelas. Um outro fator que pesa a favor é a belíssima trilha sonora, também pouco obvia, longe dos modismos, contribuindo para o enriquecimento da trama. As músicas e os personagens se entrelaçam de forma magistral. Por fim, o grande trunfo de Velho Chico é o texto. Benedito Ruy Barbosa nos brinda a cada diálogo. A narrativa é lenta, há o discurso ecológico, às vezes demasiado,  mas o belo texto do autor passa por cima desses entraves.

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Velho Chico num todo é uma grande obra de arte, só faltou mesmo a direção achar o equilíbrio nessa terceira fase para que a cenografia e os figurinos não tirem a espontaneidade e a verossimilhança do texto. É uma coisa fácil de corrigir, basta o diretor ser menos cabeça dura e aceitar fazer algumas alterações sem precisar de ser radical. Um abraço a todos e até a próxima.
* Por Gilmar Moraes

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