30 anos de SBT: Um baú de lembranças e quem sabe um sonho possível?

E eis que a emissora mais feliz do Brasil está fazendo aniversário. O SBT, emissora do nosso querido tio Sílvio – apelido carinhoso de quem fez e faz a alegria de muita gente – completa 30 anos em uma comemoração de estilo: estão indo ao ar 17 programas especiais sob apresentação de Patrícia Abravanel com o propósito de vasculhar a história da emissora.

Com o título de Festival SBT 30 anos, esses programas vieram em boa hora. Com a emissora passando por um momento bastante delicado, esse festival mostra ser uma injeção de ânimo. A retrospectiva mostra um SBT glorioso, que sabia ousar e que para surpresa de muitos, acostumado com a injeção diária de elementos trash, teve uma boa programação, contou com um excelente elenco e que realmente fazia por merecer a batalha pela liderança e o seu cativo título na memória popular como vice-líder. E a inevitável conclusão é a de que as atrações de outrora são mais queridas que as atuais. Não somente por força de nostalgia – e todos sabem o quanto ela pode ser forte – mas sim por qualidade, elenco ou imaginação.

Mais do que a nostalgia, esse festival também pode significar algo novo. A possibilidade de que este programa possa ser permanente parece ser cogitada e de modo algum seria uma má ideia. O SBT tem mais riquezas guardadas do que o Chaves, seu coringa para todas as horas e as novelas mexicanas. Também significa a presença cada vez mais forte e relevante da família de seu dono e manda-chuva mor Sílvio Santos, onde não se limitam mais aos bastidores.

Quem sabe isso não possa significar um resgate de autoestima, uma mensagem de que ainda dá para fazer acontecer? Algo que vá além do uso extenuante do recurso “foi sem querer querendo” a cada momento onde houver um buraco na programação? Francamente, ainda acredito em algo: se depois de tantos anos e tanta tecnologia, o programa de Sílvio Santos continua sendo uma opção viável no domingo e do qual dá para tirar proveito sem o mínimo de vergonha em assumir, o que não seria possível com um pouco mais de vontade?

Aguardo ansiosamente o dia em que a guerra de emissoras possa ter mais um concorrente a altura, já que se essa longa novela não prima em qualidade, que prime em ser desafio constante. Com certeza um destino melhor para uma emissora outrora tão boa, do que ser apenas um baú cheirando a naftalina, em um triste esgar do passado. Um sonho bom. Será que vale a pena esperar?

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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