60 anos de TV Brasileira: devemos comemorar?

*por Emanuelle Najjar

E eis que a máquina de fazer doido está fazendo aniversário! É a TV  brasileira completando 60 anos de existência, de uma jornada repleta de diversão, educação e polêmicas. 
Acho que posso falar por mim em diversos aspectos sobre o tema. Sou de uma geração onde a televisão esteve no auge, sendo o centro de toda a diversão que poderia haver para uma criança. No meu caso, as memórias de infância são recheadas de imagens televisivas: não seria exagero dizer que ela moldou meus gostos. Tive dela o bastante para querer fazer um TCC cujo tema era centrado em telenovelas e me debruçar em longas horas de pesquisa.  
As lembranças são inúmeras e grande do que sou hoje parte está relacionada a essa incrível caixinha mágica. Infelizmente hoje, a caixa não anda mais tão mágica assim. Não tão poderosa quanto antes, dividindo espaço com outras mídias e sofrendo com escassez de novas ideias, imersa em um modelo destruidor de cérebros, priorizando um entretenimento “baixo”, fazendo qualidade ser apenas um atributo utópico. 
A televisão em geral desperta inúmeras opiniões. Tem quem ache alienante, e detrimento daquela que deveria ser  sua principal função – educar. Que ela está parada no tempo sem evoluir, ou será ultrapassada pela internet. Alguns acreditam nela como babá eletrônica, uma mídia opressora, um aparelho obsoleto e odiado cuja permanência no trono está com os dias contados, um símbolo opressivo contra a massa que compõe seus espectadores. Ultrapassada,  aglutinadora, ditadora… revolucionária, convergente.  
A TV pode ser muitas coisas. Todas elas ao mesmo tempo, indefinível em apenas uma característica. É multifacetada, arrebatadora para o bem ou para o mal. A televisão brasileira parece apenas seguir a corrente… 
Para onde essa corrente vai, já não sei. Pelo que estou vendo é melhor pular do barco enquanto ainda dá. 
Controle remoto, tecla off. Nostalgia pelas lembranças que ficam, e nada mais. Pelo menos por enquanto.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)


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