61 anos de TV no Brasil: entre clichês e novidades

E olha só que calendário mais movimentado: temos mais um aniversário na lista dos Ilustres para os leitores do Cena Aberta. Aliás, dos mais ilustres, afinal ela é a protagonista absoluta deste espaço.

São 61 anos de televisão no Brasil. Claro, 61 não é tão chamativo quanto 60, mas aniversário é sempre um pretexto indiscutível para qualquer tipo de assunto e conversas, mesmo que no fundo essa aniversariante não precise de um bom motivo para falar a seu respeito. Há muito tempo costumamos falar em TV, exaltando seu poder de alcance e influência, porém execrando a maior parte das atitudes em seus bastidores e as decisões tomadas a seu respeito, especialmente quando diz respeito ao seu produto principal: telenovelas.

Jeitinho de desviar o assunto para onde tenho mais afinidade? Não necessariamente: no Brasil, uma está atrelada a outra de modo irremediável. Em 21 de dezembro, o gênero completará 60 anos no Brasil. E no momento ela sendo o principal produto da televisão brasileira – assim como telejornalismo – está tão exposto quanto sua irmã mais velha.

É um gênero tão amado, festejado e rechaçado quanto o seu veículo de reprodução. Dita modas e regras, é parte fundamental da “fábrica de sonhos” e influente a ponto de ser acusada de tantas outras coisas que o simples bom senso poderia ter dúvidas quanto sua culpa. Porém, está aí tão firme e forte quanto a TV e sendo igualmente exigida que evolua através dos tempos.

A televisão hoje briga para continuar forte. Tanto seu jornalismo quanto sua dramaturgia tentam sobreviver em meio a internet e a ideia de interatividade. Nem sempre conseguindo, mas evoluindo devagar, entre ousadias e episódios costumeiros de conservadorismo, tanto em seu funcionamento quanto em seus clichês. Em tecnologia, podemos contar avanços mil, mas em termo de clichês, as preferências do público soam confusas, especialmente ao auge da fantasia como o caso das tramas que tanto fazem nossa alegria e nossa veia ranzinza.

E é em meio a tudo isso que a convergência acontece, ou tenta acontecer: complementando tecnologias. Agora quanto as preferências… bom, complicou. Os problemas são parte do processo. Não há unanimidade nem em tempos consolidados quanto mais em épocas de eterna transição, pode ser irritante, mas é divertido de ver e dá esperanças de tempos onde não necessariamente os gêneros devam ser suplantados. Seria triste imaginar isso com a nossa fábrica de fazer doidos.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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