“A Menina Sem Qualidades” é inversamente proporcional ao título

A aposta da MTV Brasil em teledramaturgia rendeu a maior divulgação já feita na emissora. No momento em que faltam estrelas na casa, a série “A Menina Sem Qualidades” veio preencher o vazio de notoriedade dando ao telespectador uma grata surpresa (ingrato mesmo, só o horário – de segunda a quinta à 00 hora).

A trama gira em torno de Ana (Bianca Comparato), uma adolescente incomum, que se diz avessa à internet logo na primeira cena. Extremamente intelectualizada, a garota lida com dúvidas e problemas cotidianos dos adolescentes, como iniciação sexual, homossexualidade, amigos, drogas e bullying. As cenas dos episódios possuem luz dura, câmera na mão e baixa saturação (esse dois últimos recursos também utilizados na novela “Amor à Vida”).

Embora a MTV não tenha experiência no gênero, ela tem uma característica que a diferencia das demais: sabe falar de jovens e para jovens, entende como o adolescente é estereotipado na televisão brasileira e se opõe a isso. Como cara de cinema, e narrativa lenta, a série se distancia das obras comerciais atuais que visam o público jovem, mas nem por isso deixa de ter alguns problemas de roteiro (que vale lembrar não prejudicam a totalidade do produto): Ana, que disse emblematicamente não gostar de internet e ter preguiça da mesma aparece já no segundo episódio utilizando a rede mundial de computadores para obter respostas sobre sexo, e Olavo, o garoto que no primeiro episódio afirmou que não fumava, apareceu no segundo episódio fumando, e sabendo muito bem o que fazia, assim como suas palavras que não condizem com suas atitudes. O rapaz que afirmava não viver no mesmo mundo que seus colegas de classe e não se identificar com ninguém da mesma idade de repente apareceu na tela mais descolado, e comunicativo.

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