A nova MTV errou (e muito)

A nova MTV errou (e muito)

3 de outubro de 2013 9 Por Endrigo Annyston

Desde que a MTV Brasil anunciou que encerraria suas transmissões, as redes sociais se tornaram palco dos mais saudosistas que narravam de forma quase poética o quanto a emissora pertencente ao grupo Abril lhes foi importante. Dentre famosos e anônimos o descontentamento era geral e eis que a data finalmente chegou, mas uma semana antes já se podia assistir a uma publicidade em formato de teaser no YouTube sobre a chegada da nova MTV (como estava sendo chamada a emissora gerida pela Viacom).

Os erros da nova MTV começaram justamente por esse teaser. Considerando que o canal traz uma proposta jovem (com público alvo de 15 a 24 anos) a referência à mãe Dinah (vidente de sucesso por volta de 1995) é um tanto quanto velha se considerarmos que muitos espectadores do novo canal sequer haviam nascido nesse meio dos anos 90.

Os demais erros se referem ainda à grade de programação que tem cara de velha, ou seja é uma tentativa sem sucesso de re-colocar no ar programas que podem ser considerados clássicos para uma geração cuja principal característica é a velocidade como “Dawson’s Creek”, “Beavis and Butthead”, “South Park” ou mesmo a primeira temporada de “The Vampire Diaries” exibida na TV americana em 2009 e que os brasileiros já puderam assistir tanto na Warner Channel como no SBT há alguns anos.

Para fazer jus ao título de Music Television, o canal conta com o programa “Playlist” (apenas este) onde existe uma seleção de clipes separados por gêneros musicais, e que ocupa mais de 50% de toda a programação.

As duas únicas apostas no conteúdo nacional são os engessados “Papito In Love” – um reality show que pretende conseguir uma namorada para o roqueiro Supla e “Coletivation” – programa de variedades apresentado por Fiuk e Patrick Maia, que não tem mostrado na nova emissora jovem a mesma desenvoltura que tinha a frente do “Morning Show” da Rede TV. Estes programas parecem terem sido criados somente para compor as 350 horas de programação local exigidas pelo governo para os canais por assinatura.
Se vai ser um sucesso ou um fracasso ainda é difícil prever, mas se depender de sua programação morna e sem atrativos é bem possível que o canal não dure os mesmos 23 anos que duraram a MTV Brasil.

* João Paulo Reis