A volta de “A Usurpadora” e a lei do eterno retorno no SBT

28 de novembro de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Os fãs já comemoram ensandecidos: A Usurpadora volta ao ar pelo SBT no dia 10 de dezembro. Aguardada desde que a emissora voltou a apostar nos sucessos protagonizados por Thalia, com as reprises de Marimar, Maria do Bairro e Maria Mercedes, a saga das gêmeas Paola e Paulina regressa. Esta será a quinta exibição de A Usurpadora no Brasil, país no qual o folhetim da Televisa pôde ser visto em 1999, 2000, 2005 e 2007.

Desde que optou por reservar sua faixa vespertina às reprises de novela, a emissora de Silvio Santos tem apresentado opções bastante curiosas ao público. Já retornaram produções nacionais de baixa repercussão cuja reprise rendeu mais resultados, como Amigas e Rivais e Maria Esperança, e também trouxe reprises de reprises, como Canavial de Paixões e Marisol. A faixa das novelas da tarde já exibiu também folhetins mexicanos inéditos, como As Tontas Não Vão ao Céu e Camaleões, esta última encurtada pela baixa audiência e pela reclassificação indicativa. Os números não são exorbitantes, mas, quase sempre, rendem uma segunda colocação ao SBT no ranking do Ibope, dando trabalho ao Programa da Tarde da Record.

A Usurpadora está de volta e ninguém duvida que, mais uma vez, a trama deliciosamente hipnótica trará bons resultados ao SBT. Somado ao provável sucesso da nova exibição da trama, ainda há a versão nacional de Carrossel bombando no horário nobre da emissora. A novela infantil foi o grande acerto do canal em 2012, alavancando toda a grade de programação, que alcançou números que a emissora não via há tempos. Mais ou menos como Carrossel original que, exibida no início dos anos 1990, incomodou a líder Globo e virou uma febre entre a molecada.

Maria do Bairro, A Usurpadora, Carrossel… programas que marcaram toda uma geração que, de volta, apresentam resultados satisfatórios e firmam o SBT como uma emissora que sobrevive da nostalgia. Não há programa na história do canal que não corra um sério risco de retornar, seja em novas versões ou em velhas reprises. Isso sem falar no Chaves, série mexicana que teve poucas interrupções em sua exibição ao longo de toda a história do SBT. Não há limbo no canal. O SBT vive e sobrevive da lei do eterno retorno.

Lei esta que já foi amplamente explorada anos atrás, porém sem o mesmo sucesso de agora. Entre 2007 e 2008, o SBT resgatou títulos como Viva a Noite, Fantasia e Aqui Agora, grandes sucessos do passado. No entanto, estes retornos não conseguiram repetir o sucesso de suas versões originais e passaram em brancas nuvens. Os fracassos devem ter feito a emissora rever planos de trazer outros clássicos de volta, como o Programa Livre. Não faz muito tempo que se defendia lá dentro o retorno da arena jovem consagrada por Serginho Groismann.

Mas o sucesso de Carrossel fez a emissora lançar um novo olhar pro passado e reassumir sua condição de canal querido pelo público infantil. Para 2013, o SBT já planeja lançar o remake de Chiquititas, outra novela infantil de grande sucesso dos anos 1990. Também faz parte dos planos a volta triunfal do Show do Bozo, palhaço ícone da geração 1980 e que foi uma das principais estrelas do SBT em seus primeiros anos. Isso sem falar nos planos de programas como Sábado a Noite com Patricia Abravanel que, dizem, pretende ser uma nova versão do Show de Calouros. Definitivamente, o SBT é um canal retrô.

Com tantos regressos, ficam as perguntas: até quando o acervo da emissora será suficiente para mantê-la? Há tantos produtos passados que podem retornar com sucesso? Por que é tão difícil fazer sucesso com uma atração verdadeiramente nova? Faltam ideias? Falta boa vontade? É mais fácil apostar no que já deu certo? Os resultados são evidentes e a conclusão é uma só: o SBT tem oferecido ao seu público o que ele quer ver. Seus programas verdadeiramente lançamentos patinam, enquanto os recauchutados surgem cheios de glória. É natural que a emissora siga apostando no segmento, afinal, o retorno acontece.

Na ponta do lápis, as apostas são vantajosas. Com reprises, o SBT consegue audiência ao custo quase zero. O repeteco das novelas bate o Programa da Tarde, atração que recebeu alto investimento da Record. Com remakes, economizam-se ideias, aposta-se no certo e o lucro faz a diferença. Só resta saber se A Usurpadora, Carrossel, Chiquititas ou Bozo serão eternos. Em algum momento, a falta de novidade poderá ser fatal.

Por André San


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