Ainda um menino

20 de janeiro de 2013 0 Por Endrigo Annyston

Hoje estou completando 28 anos de idade. Em 20 de janeiro de 1985, faltando vinte minutos para meia noite, eu nasci. Minha mãe já estava ficando maluca com a demora, iria começar outro dia e eu ainda não tinha saído de sua barriga.

Andei com nove meses Falei com quase um ano. Escrevi meu nome com quatro. Desde sempre, falante, questionador. Curioso.

Talvez essa precocidade tenha como resultado o fato de eu ter cursado jornalismo. Mas sempre, sempre mesmo senti que eu tinha mais idade, uma cabeça de adulto num corpo de criança.

Certa vez li sobre meu signo, e eu me considero mais Aquário que Capricórnio, e os aquarianos eram definidos como pessoas que estavam “anos luz” da realidade. Achei que bateu.

Bom, apesar de Aquário ter mais a ver comigo, carrego elementos de Capricórnio, tipo o gênio difícil.

Sempre fui tímido. Me lembro que, no colegial, fui estudar em outra cidade, onde não conhecia ninguém. Passei um mês na sala de aula sem falar com ninguém. Depois, no entanto… passei três anos naquele colégio e cultivei uma amizade que carrego até hoje.

Em seguida, faculdade. Foram quatro anos incríveis e tive oportunidades que… bom, sempre gostei de televisão.

Os últimos anos do curso de jornalismo são focados na prática, tem bem pouca teoria. Fiz televisão, diversas reportagens de rua, comandei um telejornal.

Trabalhei em jornal, rádio, revista. Há quase treze anos mantenho o Cena Aberta.

Essas experiências contribuíram para que minha timidez fosse deixada de lado, especialmente o radio. Fazer rádio é incrível, instantaneamente temos a resposta do público.

Fui pra Disney. Uau! #sdds

Virei tio. Há quase dois anos – Vitor Hugo completa seu segundo niver dia 26 de janeiro – meu sobrinho chegou para trazer alegria para minha família, um garoto incrível, esperto, amoroso, inteligente. A paixão da minha vida.

Tive/tenho a sorte de ter uma família fantástica. Tenho tios e tias que poderiam muito bem se confundir como meus pais ou mães. Sempre presentes – não todos, lógico, família de comercial de margarina não existe.

Uma avó que também é tipo minha segunda mãe. E uma mãe que é pãe.

Tive bichinhos inesquecíveis. Xaninha e Maria – gatinhas -, Mequetrefe e Chiquito – gatinhos, nome que minha avó deu s2 -, Preta, Raí e Bobby, os melhores cachorros do mundo.

E minha Nina? Nina é uma cachorrinha incrível, amorosa, sapeca… Veio bem antes daquela mala de Avenida Brasil, viu? Tem dois anos.

Me apaixonei diversas vezes, hoje não me permito mais. Não acredito em amores, são passageiros. E limitados. E eu gosto da liberdade.

Sou preguiçoso. Acho que na outra encarnação fui um gatinho e, agora, carrego alguns elementos felinos. Adoro me jogar num canto e ficar ali, hibernando.

Sou organizado e bagunceiro ao mesmo tempo. Metódico. Gosto das coisas do meu jeito e não sou muito chegado em ser contrariado. Também tenho zero paciência.

São alguns dos meus defeitos que tento controlar.

E os 28 anos, pesam? Muita coisa muda quando a gente tem 28 anos. Pra emagrecer demora muito mais. Não que antes fosse fácil, mas agora tem que ralar o tchan ao quadrado.

E a canseira? Descobri não ter o mesmo fôlego com o Vitor Hugo… a pilha dele, no entanto, é Duracel.

Fora isso, e todo o resto, ainda me sinto um menino. Tirando o fato de não precisar estudar, e eu adoro essa parte, e ter que trabalhar para pagar contas – a parte mais chata de ser adulto, as contas que sempre chegam -, não me sinto adulto.

Eu vejo as pessoas que cresceram e estudaram comigo, todos com cara de “gente grande”. E muitos aparentando bem mais idade. Acabadinhos mesmo, eu diria. Aí penso: Uau, Deus tem sido generoso comigo.

Bem verdade que me esforço, me alimento bem, me exercito. Mas realmente não tenho cara de 28 anos.

Parece até engraçado, mas todo mundo diz que aparento ter 22. Será que tenho cara de maluco e não sei?

Mas adoro esse número, 22 é uma boa idade e já a carrego há seis anos. Delícia será ter 30 com cara de 22, 40 com rostinho de 30. Tomara que seja assim, aí continuarei não sentindo a banda passar.

Não ligo, no entanto, se for diferente. Nem faço conta de já ter 28. O tempo passa tão, mas tão rápido, que eu sinceramente parei de me importar com isso.

É comum eu não saber em qual dia estamos. Fiquei alienado nesse sentido, acho que piraria se prestasse atenção.

A única tristeza, e acho que isso fica mais evidente quando se tem bem mais idade, são as perdas que vamos acumulando. Algumas doem feito facadas, e olha que, bem, eu nunca levei uma facada. Mas é tipo isso.

Já perdi dois primos, novos. Um amigo querido. Uma amiga, maluca e querida.

Acredito, no entanto, que coisas boas e ruins vem pra somar, nos dão experiência. Ainda não entendi qual o sentido da vida, sei, apesar disso, que esse aprendizado uma hora vai servir pra alguma coisa.

Não sei qual o real motivo desse texto, sei que deu vontade de colocar tudo isso pra fora. Quase um “O Que Vi Da Vida”. Não é Fantástico?

Me emocionei diversas vezes enquanto escrevia. Faz sentido, não? Em datas assim um filme passa em nossa cabeça.

Revemos coisas, repensamos atitudes e projetamos o futuro.

E olha que nem sou de pensar em futuro, o presente já me consome o suficiente.

Bom, acho que é isso. Quero agradecer a Deus pela vida, pelas pessoas maravilhosas que passam ou passaram por mim, por você, leitor, pela minha família, amigos. Por tudo.

Já diz Roberto Carlos, se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!!!!

Que Deus nos abençoe!