Amor em 4 Atos transforma música em teledramaturgia

*Por Wander Veroni 

A idéia que tinha tudo para soar intelectualizada e segmentada, mostrou-se uma obra diversa, universal e popular. Em “Amor em 4 Atos”, uma minissérie exibida em quatro episódios pela Rede Globo, as músicas de Chico Buarque – “Mil Perdões”, “Ela Faz Cinema”, “Construção”, “As Vitrines” e “Folhetim”, serviram como argumento para criar três histórias independentes e contemporâneas, numa espécie de crônica urbana sobre amor.

Dirigida por Tande Bressane, Tadeu Jungle e Bruno Barreto; e adaptada por Antonia Pellegrino, Marcio Alemão Delgado, Estela Renner e Tadeu Jungle, “Amor em 4 Atos” surpreendeu o público e alcançou uma média de 20 pontos de audiência, segundo o Ibope da Grande São Paulo – número que foi bastante comemorado pela direção da Rede Globo que ficou apreensiva sobre o desempenho do programa. A atração contou com os atores Malvino Salvador, André Patrício, Gero Camilo, Dalton Vigh, Carolina Ferraz e Marjorie Estiano.

Na primeira história apresentada ao público, Marjorie Estiano interpreta Letícia, uma cineasta que se envolve com Antônio, um pedreiro vivido por Malvino Salvador. Paixão, mentiras e destinos que se encontram a partir de desventuras do cotidiano. Particularmente, foi um dos meus episódios preferidos, principalmente pela naturalidade do elenco que soube dar leveza aos personagens. Destaque para Cacá Rosset – que interpretou o libanês Ráfic, um vendedor de comidas árabes, apaixonado pela voz da locutora da estação do metrô.

No segundo episódio, foi mostrado um “quadrado amoroso” retratado por Carolina Ferraz – que interpreta Maria, esposa de Lauro (Dalton Vigh) e amante de Fernando (Dudu Azevedo), namorado de Dora (Gisele Fróes), ex-namorada de Lauro. Já na terceira e última crônica de “Amor em 4 Atos” – dividida em dois episódios, Alinne Moraes e Vladimir Brichta protagonizam uma história onde acaso une duas pessoas. Vladimir é Ary, um homem casado que após uma desilusão se envolve com Vera. Após dormirem juntos, Ary descobre na manhã seguinte que ela é uma garota de programa.
Para o início deste ano, a Globo optou por microsséries, como “Amor em 4 Atos”, “O Bem Amado” e “Chico Xavier” – sendo as duas últimas derivadas de filmes exibidos recentemente nos cinemas. Ao que parece, o público aprovou essa nova proposta televisiva, garantindo à emissora carioca a liderança absoluta no horário. Co-produzida pela Rede Globo, com produção da RT Features e produção executiva da Academia de Filmes, “Amor em 4 Atos” foi uma grata surpresa no início da temporada televisiva de 2011. Pena que a Rede Globo optou por exibir a série tão tarde, depois do Big Brother Brasil. Pela leveza das histórias, creio que caberia uma reprise no final de semana em um horário melhor, afinal Chico Buarque também é cultura e, acima de tudo, entretenimento da melhor qualidade.

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.  



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