Autor segura personagens e “Em Família” perde audiência

Autor segura personagens e “Em Família” perde audiência

25 de março de 2014 2 Por Endrigo Annyston

Em “Viver a Vida”, o atraso na entrega dos roteiros culminou em gravações em cima da hora, dificuldade na edição e, para preencher os capítulos, o diretor Jayme Monjardim apostava em diversas sequências de paisagens, com música ao fundo, ou flashback de cenas inteiras. “Em Família” ainda não vive situação parecida, mas está perto disso.
São muitas as situações em que Laerte (Gabriel Braga Nunes) surge tocando flauta ou Benjamin (Paulo José) vai à casa de repouso para agradar os internos ao mostrar seus dotes no piano. Alguns personagens também pedem para Paula cantar — sua intérprete, Manu Gavassi, é cantora na vida real —, ou algumas sequências em que o elenco dança ao som de zouk. Ah, claro… fazem uso de flashback. O diferente, no caso, é que o folhetim está andando.
Mas caminha a passos lentos. Antes, a expectativa era para quando Shirley (Vivianne Pasmanter) entraria em cena. Agora, todos aguardam um surto da prometida vilã que, até aqui, age como uma pessoa normal, disputando com outras mulheres o amor de Laerte. Do outro lado, a espera para o ex-ciumento finalmente entrar na vida de Helena (Julia Lemmertz), Virgílio (Humberto Martins) e Luíza (Bruna Marquezine).
Ao mesmo tempo, Juliana (Vanessa Gerbeli), que teve muito destaque no início da terceira fase da produção, tem aparecido pouco em capítulos recentes. As atenções estão voltadas para o triângulo amoroso formado por Marina (Tainá Müller), Clara (Giovanna Antonelli) e Cadu (Reynaldo Gianecchini). Esse núcleo sim, está num ritmo interessante.
Justiça seja feita, no atual momento de “Em Família”, os três estão segurando a novela, é o que salva. Fora isso, ainda está tudo muito superficial, não existe um aprofundamento nos dramas, grandes acontecimentos. Sim, teve um novo embate entre Virgílio e Laerte, mas a briga estrelada por Guilherme Leicam e Nando Rodrigues foi muito mais convincente e impactante.
Em resumo, estamos falando de uma história que tem tudo pra acontecer, entretanto, falta alguém acender o pavio dessa bomba, que está demorando para explodir. Enquanto isso não acontece, a audiência do horário segue em queda livre.