Avenida Brasil: Um marco na teledramaturgia

24 de outubro de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Avenida Brasil foi uma novela espetacular. Superior a amada, elogiada, sempre lembrada, e inesquecível A Favorita. Não vou falar dos pontos fracos da anterior, mas da atual. O núcleo Roni, Suellen, e Leandro decepcionou. A história das fotos também. No mais, uma novela redonda.

Comédia, drama, suspense, ganchos espetaculares, entrou para a história da TV. Carmem Lúcia foi construída muito bem, desde o primeiro capitulo pelo autor. Seu passado, revelado aos poucos, foi mostrando ao público porque aquela mulher, apesar de poder roubar toda aquela família e sumir com a grana, ficou 12 anos ao lado deles. Não era uma falha de roteiro, ou uma necessidade dramatúrgica, a personagem amava aquela família.

Amava porque ela nunca havia tido uma família de verdade. Por mais que seus sentimentos negativos existissem, o fato é que ela gostava de ser a mãe de família perfeita. A entrada do Santiago foi no momento exato. Fez parte das revelações, dadas aos poucos, sobre o passado da Carminha. Foi o arremate do autor, a cereja do bolo. O que faltava para fechar o entendimento sobre a estrutura psicológica da personagem.

Sinceramente, Avenida Brasil é um trabalho primoroso de construção de personagens. Nós que estamos acostumados com tipos, esteriótipos de vilões, mocinhos e etc, podemos até estranhar. Acredito que nunca uma novela foi tão profunda na construção dos seus personagens. Acredito que quem critica o final da trama é porque não tem uma visão apurada do que esta trama propôs. Sem dúvidas, um marco na nossa teledramaturgia.

* por Elvis Cley Matos