Balacobaco promete arroz com feijão com muito tempero

Vem aí uma nova novela na Record. Balacobaco, de autoria de Gisele Joras, vem com uma proposta interessante e aparentemente com os dois olhos voltados para a tal nova classe C.

Vendo a audiência desabar tão logo entrou no ar “Máscaras”, de Lauro Cesar Muniz-percebe-se um esforço da Record em abordar uma trama mais popular, descomplicada e com fórmula simples e, pois, com mais potencial de aceitação do público para o qual será direcionada. O famoso arroz com feijão, prato inequívoco e que pode render ou não, a depender do tempero. Essa fórmula, diga-se, já foi testada e aprovada pela Globo em suas tramas mais recentes.

O QUE ESPERAR DE GISELE JORAS:

Gisele Joras tem um histórico altamente positivo na dramaturgia da Record. Amor e Intrigas mostrou um texto ágil e bem amarrado. A autora mostrou competência para flertar com o popular sem cair na vala do popularesco. A novela conseguiu dezesseis indicações para o prêmio Contigo (embora não tenha levado nenhum). Obteve doze pontos de média geral o que foi considerado um sucesso, já que sua antecessora “Luz do sol”, fechou com nove. Bem verdade que em Bela, a feia, a audiência ficou aquém do esperado, mas nesse caso há o atenuante de ter sido uma obra reproduzida, o que limita muito o autor no aspecto da criatividade.

Atualmente Gisele Joras tem pela frente um desafio gigantesco, qual seja, reverter a tendência de queda e recuperar a audiência perdida pela Record em sua última trama. Diferente de 2007, em que a autora pegou uma emissora embalada que vinha numa tendência de alta, dessa vez, o cenário é diferente e aí que realmente se tira a prova dos nove. O mar dessa vez é mais turbulento e pressão deve vir de todos os lados. Gisele terá, além de mostrar uma boa trama, lidar com o peso dessa responsabilidade.

O QUE ESPERAR DE BALACOBACO:

A Record se perdeu com a novela “Mascaras” em todos os sentidos. Com uma narrativa confusa e de difícil compreensão, enveredou-se por um caminho que não tardou se mostrar fora do eixo. Foi, antes de qualquer coisa, na contramão de uma tendência que se observa a reboque de um público que cresceu e ganhou destaque nos tempos atuais.

Como já foi dito anteriormente, Balacobaco é a volta do velho feijão com arroz. Trata-se de uma receita simples cujo diferencial é o tempero. Cabe ao autor dosar os clichês e lugares comum a um texto eficiente que consiga a um só tempo produzir situações autênticas e verossímeis sem entrar no terreno do popularesco. E a linha que os separa é bastante tênue.

Outro grande problema é que a autora vai pegar a Record com uma grade muito desfigurada e o maior desafio é colocar as coisas nos seus devidos lugares. Depois do equívoco que ocorreu com “Máscaras” e as várias tentativas da emissora pra salvar a trama, resultou numa novela que não aconteceu, deixando perdas significativas para a emissora. O público que tinha se fidelizado no horário das dez ficou órfão e voou para outros canais. A responsabilidade de Joras é trazer de volta esse público. Se vai conseguir? O tempo dirá. Importante ressaltar, porém, que a Record está se mexendo e procurando fazer alguma coisa frente a esse estado de situações indesejáveis em que se vê metida nos últimos tempos.

Nada de Transatlânticos luxuosos; nada do glamour da alta sociedade regado de muita champanhe, caviar, escargot e vinhos caríssimos. BALACOBACO vem para retratar um público com padrão de vida mais simples, com gosto menos “refinado” e, por isso, com uma linguagem mais acessível ao público médio brasileiro que, nos últimos tempos, ganhou o protagonismo no mercado de telenovelas. A lógica de Joaozinho Trinta, segundo a qual o “povo quer ver luxo”, está ultrapassada.Não necessariamente que isso seja uma regra, mas indica uma tendência.

Minha expectativa e minha torcida é que BALACOBACO consiga superar os desafios e volte a fincar raízes no horário das dez, um horário mais acessível que o da trama atual. É esperar pra ver.

* Por Ary Nunes



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