Carnaval na TV: o mesmo que ir do nada para lugar nenhum

Carnaval… muito samba no pé e pouco jogo de cintura. Trata-se de uma festa no qual não há meio termo: o negócio é amor ou ódio. Foliões e odiadores defendendo seus argumentos de forma visceral e contundente. Seja lá de qual time você seja é difícil escapar. A folia acontece em todo o lugar e a festa chegará até você dependendo do alcance da caixa de som de seu vizinho folião. Nem sempre o potente fone de ouvido é páreo para o axé tocado por aqueles que não se contentam em festejar sozinhos.

Admito que não sou daquelas que gosta de carnaval. Um dia, em uma remota época da vida, lá na infância fui uma foliã empolgada a ponto de aparentar ter nascido em uma roda de samba. Porém o tempo passa, e com o passar dos anos minha empolgação se resumiu a assistir o desfile das escolas de samba pela TV. Aliás outro hábito do qual andei afastada pelo menos até este ano, quando resolvi fazer uma nova tentativa. Afinal ficar o tempo todo na frente do computador cansa e é preciso arranjar algo para fazer.

O resultado dessa experiência? Como diria a filósofa Copélia, do extinto Toma Lá Dá Cá, prefiro não comentar. Não posso dizer que foi uma completa perda de tempo pois essa experiência está gerando o texto que você lê agora, mas preferia ter ficado zarolha pelo excesso de tempo na internet.

Basicamente: a experiência acabou me fazendo perder a paciência. Odeio ter de ficar zapeando pelos canais para depois chegar a triste conclusão de que não há nada que valha a pena assistir por mais de cinco minutos.

Em alguns canais, chegávamos ao limite do bizarro. Essa é a única maneira encontrada por mim para descrever a sensação proporcionada pela cobertura da Rede TV! com Nelson Rubens e cia. e sua insistência de mostrar o derrière das entrevistadas a qualquer custo.

Quanto aos demais, era como caminhar em círculos, ou ir do nada para lugar algum. O SBT me chamou mais a atenção pelo figurino excêntrico de Eliana em uma daquelas noites, e pelos gestos exagerados de uma das repórteres que cobriam a festa. Digno de uma emissora que quase sempre contraria toda e qualquer expectativa. Assistir a Globo era algo tenso, mas pelo menos descobri que o comentarista de carnaval pode ser pior que o de futebol.

Algo para chamar a atenção? Talvez os tombos de Ana Hickmann na Avenida, porém isso valeria mais para o site Ego. Então, nesse caso meu voto vai para o desabafo da jornalista Rachel Sheherazade à frente do Tambaú Notícias. Um telejornal pertencente a afiliada do SBT na Paraíba e que rendeu boa dose de polêmica durante os dias de festa. Afinal quem seria capaz de falar contra a folia frente às câmeras?

No mais, nada digno de menção. Só sei que já vou logo tratando de preparar minha resistência para encarar quatro longos dias de reclusão no ano que vem. Há sérias possibilidades de que a televisão não esteja inclusa nesses planos: pelo menos não para uma programação carnavalesca. DVDs, quem sabe?

Melhor é planejar enquanto há tempo…

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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