Carta aberta ao Sr. Manoel Carlos, o Maneco

14 de maio de 2010 0 Por Endrigo Annyston

Olá Maneco, aqui quem fala é um fã de seu trabalho. Sendo mais específico, te admiro há 20 anos, desde quando me envolvi com a história da Helena de Maitê Proença.

A partir daí passei por História de Amor, Por Amor, Mulheres Apaixonadas, Presença de Anita, Maysa e demais produções.

O fato de te admirar não impede que eu te critique, afinal, em qualquer relação é importante a sinceridade, ainda mais quando queremos o bem de outra pessoa.

Por isso afirmo que Páginas da Vida e Viver a Vida não foram seus melhores trabalhos, não tiveram toda a qualidade que estamos habituados.

Vimos talentos desperdiçados, histórias que poderiam render e ficaram devendo e uma direção que não combina com você – a de Jayme Monjardim, apesar de ter sido um acerto na minissérie que contou a história de Maysa, sua mãe.

No entanto, apesar disso, a sua essência ainda está ali, viva, criativa e mostrando personagens humanos, próximos de nosso dia a dia.

Nenhum outro autor conseguiu abordar temas sociais com tanta veracidade e criando tamanha mobilização. A questão da violência contra idosos, a Síndrome de Down, tetraplegia, câncer e, acima de tudo, o debate que o senhor colocou em pauta por conta do preconceito, desta vez através da Ingrid, um dos melhores personagens da carreira de Natália do Valle.

Aliás, Maneco, quando falo que “talentos foram desperdiçados” também acho necessário afirmar que ao contrário de muitos autores você consegue aproveitar o talento de Natália ao máximo. Em suas novelas ela tem personagens que lhe permitem crescer e mostrar seu potencial.

Também criou, com Viver a Vida, a mais bonita história de amor que já pude ver na televisão. Miguel e Luciana, maravilhosamente vividos por Alinne Moraes e Mateus Solano, estarão para sempre em nossa memória. Nos presenteou ainda com mais uma personagem fantástica de Lilia Cabral, que como você mesmo costuma dizer, é uma grife.

Eu só acho, no final das contas, que é a hora de repensar sua forma de escrever uma telenovela, deixando de elaborar os textos “em cima da hora”. Também acredito que a parceria com Ricardo Waddington deveria ser retomada. Digo isso por estar certo de que assim as tramas voltariam a ter o ritmo que sentimos falta nas últimas duas novelas.

Por fim, só tenho a agradecer. Mesmo não sendo seu melhor trabalho, Viver a Vida emocionou e fez pensar. Uma obra de ficção pode e deve tentar lutar por uma sociedade melhor. Você faz sua parte com total dignidade e isso o torna especial a ponto de ser, como já disse, meu favorito há 20 anos.

Como diz o slogan do Warner Channel, você me faz sentir.

Obrigado,
Endrigo.