Caso Rafinha Bastos: Limites do humor e o poder de uma piada sem graça

*Por Wander Veroni 

Essa semana não se falou em outra coisa, antes da morte do Steve Jobs, da Apple: a piada sem graça e totalmente infeliz de Rafinha Bastos, no CQC, da Band. O episódio gerou inúmeros debates nas redes sociais e um “balão” por tempo indeterminado da apresentação do programa. Não sou fã do Rafinha, muito menos do CQC, como escrevi no post do Café com Notícias. Mas esse episódio serviu, de certo modo, para dar um basta nas inúmeras grosserias que ele vinha fazendo em nome de uma “piada” sem graça.

O que ele disse sobre Wanessa – que está grávida, é grosseiro e amoral, sem dúvida. Não é a toa que o Ministério Público abriu um procedimento para averiguar as declarações do humorista Rafael Bastos, do programa CQC, perigando ele ser processado por incentivo à pedofilia. Acho justo! Liberdade não deve ser confundida com libertinagem.

No entanto, o que mais me chamou atenção nesse quiprocó todo foi o fato de que a Band só pensar em tomar uma providência em relação ao caso depois que houve uma pressão comercial por parte de Ronaldo Fenômeno e Marcos Buaiz, marido de Wanessa, que pediram, literalmente, a “cabeça de Rafinha” para a emissora do Morumbi. Também não gostei da atitude do Marco Luque, que mais pareceu preocupado em perder o contrato de publicidade da Claro, do que de fato achar que a piada que Rafinha Bastos fez foi infeliz. Mesmo quem não assisti o CQC conseguiu acompanhar todo o fato pela mídia.

Sou a favor do debate, não da censura. O “calar a boca” nesse caso é tão perigoso, quanto deixá-lo no ar falando besteira a cada semana. Por meio do debate que conseguimos promover a educação. Não a educação dos livros, simplesmente, mas a educação da troca de idéias. E quando há debate, há a possibilidade de transformar um pensamento e de abrir a mente para outras possibilidades.

E nada mais interessante do que trazer o “Caso Rafinha Bastos” para o Ponto de Vista dessa semana. Quando a gente tem a possibilidade de incitar debates que vão além do que passa na TV é uma forma de todos nós nos avaliarmos, de aprender com a opinião do outro e discordar quando for necessário. Viva o debate e abaixo a censura!

Apesar de ainda não ter feito isso publicamente, Rafinha deveria sim ter pedido desculpas pela piada infeliz e, de fato, mostrar para o público que o acompanha o quão é perigoso misturar humor com incitação à violência, preconceito e ao ódio. Mas, quem disse que ele fará isso?

Que nada….rs. Rafinha, aparentemente, não está nem aí para nada disso. No Twitter, tratou com desdém o seu balão do CQC. No Youtube, no site do Jacaré Banguela, postou um vídeo em que ele trata de forma bem humorada, numa churrascaria, o episódio. Mesmo que de forma negativa, nunca se falou tanto de Rafinha Bastos na mídia. E você acha que a Band vai demiti-lo ou deixá-lo na geladeira? Ledo engano…ainda mais que agora a produtora Quatro Cabezas [dona do formato do CQC] assumiu a direção artística da Band. Rafinha terá um descanso de imagem e em breve voltará ao ar. Só espero que mais comedido no que fala. Será? E para você, qual é o limite do humor? Qual é a credibilidade do palhaço?

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.

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