CASOS DE FAMÍLIA chega ao fim

CASOS DE FAMÍLIA chega ao fim

4 de setembro de 2013 9 Por Endrigo Annyston

Silvio Santos voltou de viagem com tudo. Depois de um período de calmaria, sua emissora, o SBT, tem voltado a viver momentos de instabilidade total. As mudanças começaram na programação diária, passaram pelo final de tarde, chegaram ao horário nobre e, ainda, tiveram passagem relâmpago pelo domingo, dia no qual a grade foi antecipada no dia 1º, mas, com o desastre anunciado, já voltará ao que era antes no próximo, dia 8.

Entretanto, em meio a todas essas mudanças, uma das que mais chamou a atenção foi a do Casos de Família. Capengando nas tardes há tempos, a atração de Christina Rocha havia se tornado um semanal noturno. Com a manobra, vários coelhos foram mortos com uma única cajadada (pobrezinhos…): foi resolvida a queda de audiência do final da tarde; o programa sairia mais barato (afinal, cinco episódios semanais foram reduzidos a um); e as noites de quarta-feira ganhariam um programa verdadeiramente competitivo. Pronto, parecia a solução ideal!

Sendo assim, o SBT preparou o terreno para as mudanças. Bombardeou o público com chamadas ao longo de toda a programação. Avisou que, à noite, o programa estaria ainda mais picante e polêmico. Tratou de substituir os tons laranja dos cenários e das artes do programa por azul, para deixar a atração mais com “cara” de programa noturno. A estreia, quarta-feira retrasada, teve direito até mesmo a depoimentos dos colegas de SBT, que desejaram boa sorte à Christina Rocha na “nova fase”. Ratinho, Celso Portiolli, Eliana e cia limitada deixaram suas mensagens.

A promessa de um programa mais polêmico e picante foi cumprida. Casos de Família, que já vinha cometendo seus excessos à tarde, extrapolou de vez na faixa noturna, já longe das amarras da classificação indicativa. As brigas físicas, que não eram mostradas à tarde, apenas insinuadas, puderam ser vistas sem corte. Os participantes abusaram das palavras de baixo calão. Até mesmo um “game”, no qual os participantes tinham que descobrir que modelo usava silicone, foi proposto. Para descobrirem, foi um festival de apalpadas.

Christina Rocha ganhou até mesmo a companhia de quatro “recepcionistas saradões”, importados do Clube das Mulheres. Parecia até uma versão ainda mais brega e de apelo erótico daqueles bailarinos que a acompanhavam no lendário Alô Christina (aqueles que repetiam “alô Christina!”, cada vez que a apresentadora dizia o que estava vestindo). A psicóloga do programa, Anahy D’amico, mal apareceu. E quando aparecia, não conseguia disfarçar a cara de constrangimento. Vergonha alheia é pouca.

A versão noturna do Casos de Família lembrou muito o Você na TV, matinal de João Kleber na RedeTV, que vive de criar suspenses inexistentes em histórias imbecis. Um chamariz de público que deveria ser denunciado no Procon. Infelizmente, é uma arma que funciona, tendo em vista a boa resposta de audiência que o “novo” Casos de Família obteve: 8 pontos de média no Ibope. O dobro do que alcançava à tarde, e mais do que Amigos da Onça, atração anterior do horário, obtinha.

No entanto, a boa audiência não foi o suficiente para garantir a sobrevida de Casos de Família. Sua constrangedora versão noturna saiu do ar depois de apenas uma edição. Na quarta-feira passada, o Programa do Ratinho foi esticado até a hora do Gabi Quase Proibida, e na próxima quarta, a série Sobrenatural passa a ocupar a faixa. Uma manobra corajosa, tendo em vista que, na prática, a emissora trocou uma boa audiência certa por um produto ainda duvidoso (Sobrenatural já rendeu no passado, mas sua performance agora ainda é uma incógnita).

Ao que tudo indica, o SBT percebeu que a baixaria gratuita simplesmente tem vida curta. As brigas orquestradas por Christina Rocha fatalmente entrariam em queda, mais cedo ou mais tarde. Foi o que aconteceu na faixa vespertina, era o que aconteceria à noite. Felizmente, a audiência instantânea dos ditos “telebarracos” tem data de validade.

Além disso, com a extinção do Casos de Família, o SBT se livra de um produto que “destoava” de sua grade, como bem apontou o crítico Mauricio Stycer, do UOL. O canal, cada vez mais, veste uma camisa “família”, e um programa que explora brigas e a desgraça alheia não combina com tal selo. Prova maior disso é o horário nobre da emissora que, com a estreia de Rebelde, na próxima segunda-feira, será a única emissora aberta a apostar no público infanto-juvenil na faixa. A dobradinha Chiquititas/Rebelde pode render. Casos de Família, assim, se despede já com atraso.

Por André San


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