Cena Repórter: GloboTV possui conteúdo mais diverso, mas se esqueceu do compartilhamento


*Por Wander Veroni 

No início do mês de fevereiro, a Rede Globo mudou completamente a área de Vídeos do seu portal, a Globo.com. Agora, com o nome de GloboTV, a emissora carioca criou uma  plataforma de vídeos que permite assistir a programação de canais da TV Globo, SporTV, Globo News, GNT, Multishow, Canal Brasil, Universal Channel e Canal Off. Há trechos de programas e matérias jornalísticas liberados para os internautas e muitos programas na íntegra para anews, destaque, ssinantes.

A ideia de colocar tudo na mesma plataforma é excelente, além de ser uma janela importante para que o internauta que ainda não conhece um desses canais listados possa ter acesso a eles pela internet. Porém, a Globo mudou a sua própria política de compartilhamento de vídeos retirando a opção embed do ar. Inicialmente, achei estranho porque o embed do vídeo é uma forma de compartilhar o conteúdo da Rede Globo em outros sites e blogs – o que aumentaria ainda mais o page rank do portal, sem contar na divulgação deste conteúdo internet à fora.

Mesmo não concordando com essa nova política, eu a entendi. Por conta dos últimos debates envolvendo proteção e direitos autorais na internet – principalmente após a repercussão massissa do SOPA, PIPA, e afins, a Globo decidiu que se o internauta quer assistir a um vídeo dela, que entre na Globo.com. É uma estratégia de mercado perigosa e que induz o internauta a ser assinante para poder assistir ao conteúdo na íntegra. Atualmente, um dos passatempos preferidos de quem está na web é assistir vídeo e a Globo sempre atenta também quer estar nesta fatia do bolo.

Retirar o embed dos vídeos – não os que estão na íntegra, mas sim os trechos ou as matérias jornalísticas – pode ser um tiro no pé no quesito de divulgação, de outros internautas darem credibilidade ao conteúdo produzido, replicando ele nas redes sociais, blogs e outros sites. O embed é um instrumentos importante para conquistar outros espectadores. Vejo o fim do embed como uma estratégia egoísta. É um modo de não dividir com os outros o próprio conteúdo, uma tentiva que olha apenas o lado comercial, não o comunicativo.

De uma forma ímplícita, o fim do embed é uma atitude que incentiva a pirataria. O internauta sabe que não pode mais publicar trechos ou produções na íntegra no YouTube, mas procura outros sites de compartilhamento de vídeo para fazê-los. E são muitos. Mesmo com o fim do MegaUpload, há sites do mesmo estilo, em outros tantos países, que ainda possuem leis mais brandas em relação a esta ideia de compartilhamento que – a princípio, não teria fim comercial para o internauta possa continuar postando.

Você pode estar se perguntado: mas tem o link, não tem? Então dá para linkar. Claro que dá, mas isso não é a mesma coisa. Nem todo o internauta clica. E trabalhar com vídeo em um post, mostra que o autor está antenado aos recursos multimídias. Ter um post que possui um vídeo, uma imagem e um texto é muito mais interessante para o internauta que está ali pesquisando um determinado assunto no Google, do que um post que tem apenas blocos de textos. O internauta hoje, por conta das redes sociais, é um curador de conteúdo. Ele expõe na própria página na internet aquilo que ele considera de relevante. E um player de vídeo ali, pedindo para ser assistido, é muito mais simples do que colocar um link para abrir uma outra página.

Confesso que apesar de entender os motivos, me decepcionei. A Globo é pioneira aqui no Brasil no lançamento de ações comerciais na área da comunicação utilizando a plataforma web. Lembro-me que há muitos anos atrás, logo na época do “boom” do YouTube, a emissora carioca fez uma parceria para colocar os capítulos das novelas na íntegra ou, até mesmo, trechos. Era genial! Geralmente, os capítulos das novelas estavam figurando sempre entre os vídeos mais vistos. Ou seja, a Globo tem a liderança na TV aberta e, consequentemente, tinha o mesmo na internet.

Com a nova política e filosofia comercial do YouTube, a Globo teme perder receita para o site de compartilhamento de vídeos da Google – e, principalmente, para o internauta que posta este vídeo e cria um canal muito assistido. A internet ainda está caminhando e, todos estamos vendo juntos, os passos que ela está dando, tanto para o lado comercial, quanto para o conteúdo. Estamos todos vivendo de perto a história da comunicação. O futuro já começou!

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*Autor: Wander Veroni, 27 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.

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