Chaves é a grande estrela dos 30 anos do SBT

20 de agosto de 2011 0 Por Endrigo Annyston

 *Por Wander Veroni 

O exercício é bem simples. Feche os olhos e pense no programa que é a cara do SBT nesses 30 anos e que está a mais tempo no ar? Foi sem querer querendo…isso, isso, isso. Lembrou? Trata-se de Chaves (Chavos Del Ocho), considerado o coringa da emissora de Silvio Santos. Nesse aniversário de três décadas do SBT, o programa mexicano é a grande estrela da festa. Fãs da atração ganharam a oportunidade de conferir, finalmente, os “episódios perdidos”, inéditos na TV aberta. Ratinho viajou ao México para entrevistar Roberto Bolaños, criador da série e idealizador do personagem de sucesso mundial. Além disso, o próprio SBT preparou um episódio especial com os artistas da Casa para homenagear o seriado.

Chaves está bem fita! Aliás, sempre esteve. Vice-líder absoluto de audiência, a série mexicana é um sucesso mundial, não só no Brasil, mas em vários países. A história do menino de rua que mora no barril e os moradores de uma vila pobre de periferia conquistaram o telespectador pela simplicidade do texto e humor pastelão. Quem não gosta do Chaves? O seriado se tornou Cult, principalmente por conta do tom irônico e debochado das falas dos seus personagens, usadas no cotidiano até hoje. Inclusive, outro clássico que infelizmente não é tão valorizado é o super herói trapalhão, Chapolim Colorado. Não contavam com a minha astúcia?

Chaves: Seu Madruga, posso ver TV?

Seu Madruga: Claro, Chaves! Só não vá ligá-la. 

Uma ressalva importante é que a dublagem de Chaves e de Chapolim, aqui no Brasil, se tornou um marco pela originalidade e por trazer a série para a realidade do nosso país. Mais do que homenagear os artistas que interpretam com maestria esses personagens, devemos também, homenagear aqueles que deram a sua voz e com jogo de cintura criaram vozes imitadas há mais de 20 anos e um texto bastante próximo da idéia original. Trabalho feito de forme genial!

No entanto, é  uma pena que ao lermos a história dos bastidores do seriado, vemos que o ego imperou. Chiquinha e Kiko chegaram a ser impedidos judicialmente de serem interpretados por seus respectivos atores, uma vez que Bolaños reclamou para si o direito autoral. A pendenga fez com que a amizade acabasse, fosse parar nos tribunais e se transformasse em desafeto. Além disso, a atriz  Florinda Meza, que faz os personagens Dona Florinda e Pópis, foi disputada Carlos Villagrán e Bolaños, mas ano final acabou casando com o intérprete de Chaves.

Brigas à parte, Chaves para mim está ligado a minha memória emocional. Quando criança – e até os dias de hoje, o seriado passava várias vezes ao dia. Mas o horário do início da tarde era o que mais gostava, pois coincidia com a minha volta da escola. Dava uma raiva quando o SBT não colocava os episódios na seqüência ou mudava o programa de horário sem avisar. Chaves já sambou em todos os horários possíveis da grade da emissora. Virou um tapa buraco para tudo e mais um pouco. Teve uma época em que a direção tirou o seriado do ar por conta do desgaste e os telespectadores chiaram. Ainda bem! E foi graças a esse piti do público e o carinho que a série desperta até hoje é que o programa está no ar desde 1984. Sucesso absoluto! “Siga-me os bons!”, dizia Chaves e Chapolim Colorado. Nós, com carinho, seguimos.

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.