Chaves: Foi sem querer, querendo!

O Chaves completa 40 anos em 2012 e há alguns anos eu li o livro “Foi sem querer querendo”. Além disso, conversei com um dos autores. Revirando o baú achei esse artigo e resolvi republicá-lo:

Hoje irei escrever sobre uma das atrações televisivas de maior sucesso no mundo todo, que agrada crianças, jovens e adultos. Pela breve descrição já deu para saber do que se trata? E se eu disser que o protagonista da série é uma criança – embora não pareça – que apronta mil trapalhadas, mora dentro de um barril e adora sanduíches de presunto? Além disso, sempre que alguém fica bravo, solta a pérola “ninguém tem paciência comigo” e sai chorando com seu conhecidíssimo “pi pi pi pi”. É claro, nem preciso dizer que trata-se de “Chaves”. 


“Chaves” foi criado há mais de 30 anos e é exibido no Brasil há 20, pelo SBT. Em nosso país, nunca deixou de ser sucesso e “sem querer querendo” aumenta cada vez mais sua legião de fãs. Fãs que fazem movimentos em prol do seriado a cada cartão vermelho de Silvio Santos, que volta e meia tira o enlatado da grade e provoca a ira dos telespectadores que adoram ver e rever (e rever, e rever…) os episódios. 


A saga do personagem Chaves é a mais simplória possível. Ele mora em um barril, no meio de uma vila, onde fica cercado por seus amigos. Juntos, aprontam todas com os outros moradores. Os cenários são simples, vestuário idem, porém, as interpretações são marcantes, por isso fizeram história. Cada participante deste seriado teve papel importante para torná-lo um sucesso. Como imaginar Chaves (Roberto Gomez Bolaños) – criador da série – sem Chiquinha (Maria Antonieta de Las Nieves), Kiko (Carlos Villagrán), Seu Madruga (Ramón Valdez), Dona Florinda (Florinda Meza), Bruxa do 71 (Angelina Fernández), Seu Barriga (Edgar Vivár) e cia limitada? 


No ar desde 1984, quando estreou como atração do programa do palhaço Bozo, a série logo foi mostrando a que veio. Para se ter uma idéia, foi por causa de Chaves que a apresentadora Ana Maria Braga foi parar nas manhãs da Rede Globo, afinal, a tarde o seriado mexicano batia diariamente a audiência do feminino “Mais Você”. É conhecido como o coringa de Silvio Santos, que ao perceber que sua grande de programação corre perigo, coloca a série no ar, e, como sempre, retoma os índices de audiência perdidos. 


“Tinha que ser o Chaves mesmo!”. Mas nem sempre foi assim, pois quando o pacote de episódios de “Chaves” chegou ao Brasil, os diretores do SBT não acreditaram no potencial do enlatado e descartaram sua exibição. Diziam que era de péssima qualidade, por ser feito quase que artesanalmente. Não fosse a teimosia de Silvio Santos, o Brasil não teria conhecido esse que é um dos maiores sucessos da TV. 


O motivo do sucesso? É impossível descrever. São poucas as atrações televisivas que, como Chaves, não perdem a graça conforme suas reprises são exibidas. Eu diria que a inocência dos personagens criados por Roberto Gomez Bolaños só conseguiu algo similar por aqui com “Os Trapalhões”. Fora isso, as tentativas foram frustradas. Hoje, Didi e Dedé, ambos ex-trapalhões, tentam reviver situações que fizeram sucesso no passado, mas sem êxito. A inocência, ingenuidade, que conseguiram outrora, já não existe mais. Ainda mais se for levado em conta o alto teor de sexualidade presente nas piadas. “Tá bom, mas não se irrite, é que me escapuliu…”. 


Recentemente, foi lançado o livro “Chaves – Foi Sem Querer Querendo”, contendo curiosidades sobre as séries (tratam também de outro sucesso de Bolaños, o “Chapolim”), desde as filmagens até o sucesso que fez em vários pontos do mundo. Curiosidades como fitas que volta e meia “somem” do SBT, os vários movimentos em prol da permanência de Chaves na grade do SBT e até entrevista com psicólogos que tentam explicar como é esse fenômeno que atrai tantas pessoas. 


Conversei com Fernando Thuler, um dos autores do livro, que disse assistir a série “desde que nasceu”. Ele, e os outros autores, Luís Joly e Paulo Franco, analisaram o enlatado mexicano para o trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Uma idéia audaciosa e de grande interesse, afinal, conseguiram em pouco mais de 150 páginas decifrar os mistérios desse fenômeno. 


“Acabamos juntando tanta informação, que pensamos: Isso dá um livro. Levamos a idéia ao nosso orientador e seguimos em frente com o projeto”, diz, revelando que não haviam pensado em outra temática, sempre quiseram ter o Chaves como objeto de pesquisa. 


Para Thuler, a maior dificuldade do trio foi desvendar todas as lendas que cercam a série. Fizeram pesquisas em vários sites e, para poder confirmar as informações apuradas, buscaram por fontes confiáveis que pudessem comprovar sua veracidade. “Realizamos um forte trabalho de pesquisa em sites e jornais dos anos 70 e 80 do México, além de fazer contato e entrevistar os atores da série. O Edgar Vivár veio ao Brasil em 2003, período em que estávamos escrevendo o livro. Além de entrevistá-lo, ele nos passou o contato dos demais atores”, conta. 


Li o livro e recomendo a vocês, um trabalho muito bem elaborado e que, principalmente, traz novidades com relação a história da série. 


Fica aqui minha homenagem à esses grandes talentos da TV mexicana, que por anos e anos cativaram tantos fãs e que fizeram e continuam fazendo a infância de muitas crianças bem mais feliz. Que sejam sempre bem vindas atrações desse nível. Deixo também meu carinho para os atores do elenco que já não estão mais conosco: Ramón Valdez (Seu Magruga – 1988); Angelines Fernández (Dona Clotilde – 1994); Raul Padilha (Jaiminho – 1994) e Horacio Bolaños (Godinez – 1999). 


+ Chaves

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *