A classe C em todos os espaços e a mudança de mentalidade mais que necessária.

Para os haters convictos da programação televisiva, os tempos não tem sido lá dos melhores. A argumentação tem decaído frente a algumas constatações de pesquisa de mercado da TV paga. O estudo mais recente a respeito do assunto fez com que alguns panoramas caíssem: que tal a conclusão de que as emissoras mais assistidas são justamente aquelas tão espinafradas da TV aberta?

Isso mesmo: De acordo com pesquisa publicada na coluna de Ricardo Feltrin no F5, Globo, Record e SBT são as três primeiras emissoras mais assistidas da TV paga, com share de 37%, 11% e 6,4% respectivamente. Band e Rede TV também estão no ranking das 10 mais assistidas, porém ocupando o quarto e o oitavo lugar.

A análise diz respeito aos 10 canais mais assistidos nas oito principais praças entre 14 que compõe o Painel Nacional de Televisão: São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Florianópolis e Campinas. Um universo nas quais 3,9 milhões possuem TV por assinatura. O mês de referência é agosto por ser um mês sem grandes feriados e férias escolares. Ou seja: uma análise muito expressiva. E o resultado do índice de share mostra mais: se forem somados os shares dessas emissoras e mais as aquelas públicas e as UHF, quase 63 em cada 100 TVs pagas ligadas estão exibindo programas de emissoras abertas na maior parte do tempo.

Qualidade de imagem? Popularização dos pacotes para alcançar um maior público? Ascenção da classe C a bens de consumo antes inimagináveis?

Muitas podem ser as justificativas, especialmente a última delas, que se reflete em quase todos os setores de economia, e neste cenário quem prega a TV paga como a salvação acaba se dando mal. Se o público das emissoras abertas é tido como alienado por uma programação de baixa qualidade e de uma ficção idiotizante, o que dizer diante da novidade? Continuar pregando Discovery Channel como se fosse a salvação do mundo e suprassumo em cultura, marcando assim uma divisão de castas televisiva?

É hora de uma mudança de mentalidade. Até mesmo quem faz televisão já percebeu isso. Tudo bem que as razões desta compreensão por parte deles seja puramente mercadológica, uma questão de sobrevivência para ser mais exata. Mas até quando o público vai perceber que não cabe esse tipo de diferenciação em castas? Que celebrem o gosto puro e simples, o desejo de assistir aquilo que se quer, não a pseudocultura ou sabedoria presente naquilo que simplesmente vem de fora, tido como bom simplesmente por este fato.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)



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