Classificação Indicativa: Uma forma de censura, mas que tem que valer para todos

7 de maio de 2011 0 Por Endrigo Annyston

Há tempos destacamos neste espaço a limitação que a classificação indicativa impõe nas telenovelas: não pode violência, não pode sexo, drogas e também as crianças não podem quase nada enquanto atores.

E as novelas, bem, se forem exibidas no período da tarde, precisam ser retalhadas, mesmo que se perca o contexto.

Tá, tudo bem, se não pode, fazer o que? Que os autores façam séries e usufruam da faixa das 23h para o que não é permitido antes.

A questão é que enquanto na dramaturgia tudo é proibido, pro jornalismo tudo pode com a desculpa de que é direito do público ter informação a qualquer hora do dia.

Mesmo que seja uma tragédia de grandes proporções, que pessoas ensanguentadas ou destroçadas apareçam no video ou que se fale de drogas, abuso sexual ou qualquer outra coisa.

Por ser notícia, pode.

Só que bem sabemos que alguns canais usam essa desculpinha para alongar o assunto e passam horas e horas veiculando tragédias enquanto for conveniente, ou seja, enquanto estiver dando audiência que é o que de fato importa.

Mas o que é difícil entender é: como a vida real pode chocar menos que uma telenovela?

Por isso chamou atenção matéria da Folha de São Paulo de ontem sobre a discussão envolvendo uma classificação indicativa válida também para os telejornais.

É uma forma de censura? Sim, é, mas se vale pra um tem que valer para todos.

Acho excelente, de certa forma, afinal, sem poder explorar o jeitinho fácil de se cativar o telespectador, os executivos de TV terão que usar bem mais a criatividade para cativar o público.

E eu tô numa torcida ferrenha para que isso aconteça. E depois, que vença o melhor!