Coluna do Ary: Lauro César Muniz, Avenida Brasil e a Classe C

14 de abril de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Febre do ouro ou corrida do ouro designa um período de migração súbita e em massa de trabalhadores para áreas onde se fez alguma descoberta espectacular de quantidades comerciais  de ouro. (Wikipedia)

Tá, sei que esse assunto está enchendo o saco de todo mundo-inclusive o meu- e é exatamente por isso mesmo que estou escrevendo esse texto. As mudanças bruscas que tem feito a televisão nos últimos tempos em busca da nova classe C me faz lembrar muito a febre do ouro que ocorreu no século XIX em diversas partes do mundo. E quando falo televisão, devo esclarecer, por questão de justiça, que falo da Rede Globo, a única emissora que fez realmente essas mudanças estruturais em busca do tesouro. De posse de “pás”, “picaretas” e certamente muitas pesquisas,  lá foram eles garimpar pedras preciosas: o telespectador emergente.


 LAURO CESAR MUNIZ ESTÁ CERTO E ERRADO:

Lauro César Muniz, que hoje escreve na Record foi muito criticado por entrevista polêmica em que criticou autor João Emanuel Carneiro, que escreve na Globo. Ok, tudo bem que Lauro Cesar Muniz poderia ter tido um certo decoro ao falar de um colega que escreve na concorrência (e acho que a crítica nem foi dirigida ao autor propriamente, mas a emissora, mas enfim citou o nome da novela,etc e tal). O problema é que existem jornalistas que forçam esse tipo de resposta. Estou cansado de ver entrevistas por aí com profissionais da Record com perguntas do tipo: “pensa em voltar pra Globo?”, “A Record tem uma estrutura semelhante a da Globo?”, e por aí vai, nesse festival de perguntas cretinas. Peraí, né? Que tipo de resposta se espera receber para perguntas desse naipe? Só se eu fosse maluco de não puxar o saco da empresa que paga meu salário. Eu hein!? Nesse ponto eu acho que as pessoas que concedem entrevistas para a imprensa deveriam tomar cuidado com certas “cascas de banana”. Os mesmos que arrancam esse tipo de resposta com esse tipo de pergunta vão criticá-los depois.

Enfim, coloquei em parênteses que a crítica de Lauro Cesar Muniz não era exatamente ao autor e sim a uma direção que a Globo tomou em busca da nova classe C. E em certo ponto ele tem razão em sua crítica. Temas populares sempre geraram audiência isso é certo, porém é uma audiência mais volátil. E estamos falando de uma classe social ascendente que ampliou seu poder aquisitivo e aos poucos vai descobrir novas   culturas, novos hábitos e ampliar seu leque seja no campo do entretenimento e forma de obter informações pelas diversas mídias as quais terá acesso. No médio ou longo prazo pode ser um tiro no pé. Evidentemente que a Globo não faria movimentação tão brusca e tão alardeada não tivesse amparada em amplas pesquisas. De fato, nesses anos todo nunca vi a Globo fazer uma movimentação tão evidente e nem ao menos negar isso em favor da manutenção das outras classes sociais que podem se sentirem desprestigiadas. É uma coisa de doido. Acontece que televisão aberta sempre foi e é classe média até a medula.

Lauro Cesar Muniz diz que televisão deve ser feita pra todos, e não somente pra uma classe especifica de consumidores. É até bonitinho falar isso numa entrevista, sinal de respeito a todos os telespectadores, porém isso só é bonitinho pra falar O alvo da televisão sempre foi e será a classe média. E isso é fácil de entender pelo seguinte motivo: É praticamente inviável criar um produto que agrade todas as classes sociais. No caso da televisão, contudo, que é um veículo de massa, é preciso tentar chegar o mais perto possível de alcançar isso. Com o foco na classe média existem os requisitos favoráveis para isso pelos seguintes motivos:

1- é a classe social economicamente viável

2- é a classe social que tem o hábito de assistir televisão aberta, mais que as classes superiores

Ou seja, pura e simplesmente a lei do meio. Não podendo agradar todo mundo, o caminho mais próximo de se chegar a ísso é ficar no centro. Simples assim.

PRA ENCERRAR:

Eu acho que está havendo uma corrida frenética e desenfreada em busca de um público que sempre esteve aqui. Aparentemente parece que temos duas classes sociais divididas em uma, e isso está causando certa confusão. De fato, temos a nova classe C e a velha classe C que parece não estar em harmonia entre si, quantos aos gostos televisivos. Podemos observar esse fenômeno mais claramente nos canais fechados onde há um visível choque de opiniões. Pra ficar num exemplo: o caso das legendas em filmes. Os antigos telespectadores desses canais se sentem insatisfeitos com a crescente onda dos filmes dublados feitos claramente para agradar os recém-chegados, supostamente por preferirem a dublagem ao invés da  legenda.

Então temos um fato curioso: pessoas com o mesmo poder aquisitivo porém supostamente com gostos e hábitos diferentes. A pergunta é: No futuro esses recém-chegados vão se adaptar aos gostos dos antigos ou será que a televisão terá mesmo o poder de “adestar” os antigos nessa nova forma de fazer tv??? Na minha humilde opinião, dada a crescente ampliação das mídias paralelas, a televisão não terá força para segurar essa onda e o resultado, em longo prazo, não será esse que hoje vemos na  tela, onde temos um público com maior poder aquisitivo e que, a sua maneira, vai descobrindo novas formas de obter informações de qualidade.

Fico por aqui, um abraço e até a próxima.