Com Dani Calabresa, “CQC” busca novos caminhos

26 de março de 2013 0 Por Endrigo Annyston

No ar desde 2008, o CQC – Custe o que Custar enfrentou, sobretudo no ano passado, o desgaste natural de seu formato. Não que o programa estivesse ruim. A mescla de jornalismo e humor continua sendo feita na dose certa, seu elenco segue inspirado e a atração seguia divertindo e realizando algumas denúncias pertinentes. No entanto, via-se alguma acomodação, até porque, se em 2008 o CQC era uma grande novidade, agora ele já é um velho conhecido. Como surpreender o público que já está mais do que habituado às suas gracinhas?

Entrando em seu sexto ano, o CQC percebeu o problema e viu que era a hora de explorar novos caminhos. E o que se viu na estreia da temporada 2013, que aconteceu na segunda-feira, 18, a atração veio como grande novidade a forte investida na ficção. O CQC sempre flertou com o recurso em episódios especiais, mas, agora, fará da dramaturgia uma constante. Entre as novidades, uma espécie de sitcom que explora os bastidores do programa e o quadro de humor comandado por Dani Calabresa, anunciada como a principal estreia desta safra.

A chegada de Dani ao CQC é mais do que bem-vinda, já que a humorista é a grande novidade do humor nacional dos últimos anos. Inteligente e com rápida percepção, Dani, mais uma jovem revelação do teatro paulistano, galgou uma interessante, porém escondida, trajetória dentro da televisão brasileira. Estreou timidamente no SBT, onde participava do humorístico trash Sem Controle e do Jornal da Massa, de Ratinho (além de bater cartão quase toda semana no Jogo das 3 Pistas do Namoro na TV e Etc, programa apresentado por Celso Portiolli aos sábados em 2007). Depois de algumas participações no Pânico na TV, da RedeTV, e Quinta Categoria, da MTV, Dani foi contratada pela emissora musical para apresentar o Furo MTV ao lado de Bento Ribeiro.

Surgia aí um dos melhores programas de humor já exibidos pela televisão brasileira. No Furo, Dani e Bento comentavam, de forma irônica e bem-humorada, as notícias do dia. Um casamento perfeito: enquanto Dani era expansiva e “pateta”, Bento era ácido e sarcástico. A dupla funcionou tão bem que o Furo MTV seguiu no ar com praticamente o mesmo formato por cinco anos. Neste tempo, Dani também fez parte do elenco do Comédia MTV, outra boa novidade do humor nacional, trabalhando ao lado do marido, o festejado Marcelo Adnet.

Agora como a segunda “mulher de preto” do CQC, Dani Calabresa ganhou um quadro no qual explora algumas ideias bastante parecidas com o que fazia no Furo MTV. Cabe à humorista comentar as notícias da semana de forma bem-humorada. Os comentários vão da fina ironia ao humor “mararrônico”, com direito à Dani fazendo personagens diversos. A ideia é muito boa, e Dani faz isso como ninguém: sem dúvida, ela é um talento nato. No entanto, até aqui, o quadro da comediante surgiu de maneira não muito orgânica. A sucessão de personagens e piadas ficou próxima aos programas de humor baseados em esquetes e distante da proposta do CQC, que é calcado no formato do telejornalismo. Destoou, soando praticamente como um programa à parte dentro da atração.

Pode ser que seja apenas devido à estreia e, com o tempo, o quadro de Dani Calabresa vá se ajustando à  fórmula do CQC. No ano passado, Dani fez uma participação especial no programa, ao lado de Rafael Cortez, e mandou muito bem, produzindo um dos melhores momentos do humorístico da Band em 2012. Sendo assim, Dani não é uma “estranha no ninho”: foi uma aquisição valiosa e que merece nossas atenções. Cabe agora à direção do programa saber explorá-la da melhor maneira possível.

E uma das maneiras que faria Dani render bem mais seria utilizá-la numa grande mudança na estrutura do CQC: ela devia ser alçada ao posto de apresentadora do programa. Dani Calabresa é rápida e perspicaz, e seria a substituta natural de Rafinha Bastos ao lado de Marcelo Tas e Marco Luque. Não que Oscar Filho seja incompetente na função, pelo contrário, mas Dani Calabresa faria a diferença ali. Seus anos à frente do Furo MTV depõem a favor dela. Ela já desenvolveu traquejo mais que suficiente atrás de uma bancada comentando notícias. O programa só teria a ganhar com este remanejamento.

No mais, o CQC voltou ao ar com todo o gás. Este primeiro programa investiu fundo em boas pautas e teve excelentes momentos. Fez graça com a escolha do Papa argentino, promoveu um interessante embate com o pastor Marco Feliciano, novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, e ainda fez uma séria denúncia ao mostrar imagens recentes da mulher que atropelou o estudante Vitor Gurman, em 2011, dirigindo normalmente. A julgar pela estreia, 2013 há de ser um bom ano ao CQC.

Por André San


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