Crise existencial no Jornalismo e 42 anos do JN

3 de setembro de 2011 0 Por Endrigo Annyston

*Por Wander Veroni

Depois de anos a procura da batida perfeita, tentando e arriscando novas linguagens, o Jornalismo chegou em sua mais grave crise existencial e foi para o analista. E com razão: nestes anos todos, “nunca antes na história desse país”, o Jornalismo – principalmente o de mídia eletrônica, está passando por uma das suas piores crises de identidade e reconstrução do modelo mais rentável de produção de conteúdo informativo. Já existem esforços consideráveis para a quebra do monopólio informativo e desgaste do jornalismo que só cobre polícia, tragédia e desgraça. Antigamente, se falava que o público queria ver isso. “O Mundo Cão da audiência”, diziam os executivos de televisão. Mas será mesmo? Tenho as minhas dúvidas…

O telespectador já não é mais passivo quanto antes. Não gostou de um programa, mete a língua nas redes sociais ou ignora a sua existência. Não tem papas na língua! No entanto, os produtores de TV ainda insistem em ficam surdos diante da crítica do público, dos jornalistas e dos blogueiros. “Mas a culpa não é nossa! Somos apenas os operários, o chão da fábrica de sonhos”, contra-argumentam quem trabalha em TV. Mas será que é só assim que a banda pode tocar? Porque não mudar o repertório? Propor novas idéias, sair do lugar comum e tratar o telespectador com mais inteligência? Do que nós jornalistas e comunicadores temos tanto medo?

A TV brasileira que já foi a mais criativa e diversificada do mundo, hoje se presta a repetidora de modelos estrangeiros e de um jornalismo – principalmente local, cada vez mais superficial e alienado. Mas a TV trabalha com o tempo, não dá para ser analítico o tempo todo? Quem disse que é para fazer um telejornalismo “cabeça”? O público e porque não dizer, também os profissionais da imprensa, estão ansioso pelo nascimento desse novo modelo de jornalismo que realmente consiga falar do regional, do local, do Brasil e do mundo de forma próxima e conversada.

Na crista da onda pior crise [de criatividade] da história do telejornalismo brasileiro, comemoramos os 42 anos do Jornal Nacional (JN), da Rede Globo. Com um formato de sucesso que atravessou décadas e se tornou uma referência, o JN ainda alcança vôos editorias significativos que credencia o noticiário como um patrimônio cultural e midiático da TV brasileira. Claro, o telejornal ainda sofre com as normas dos Princípios Editoriais da Globo, mas consegue ser pioneiro na linguagem e no cuidado editorial, provando que por mais que seja tradicional, o telejornalismo não pode nunca acomodar. Talvez seja este o pior erro, até então. Onde está a nossa criatividade?

________________________________________
*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.