Crise no Banco Panamericano põe em evidência problemas do SBT

Wander Veroni* 


A notícia pegou muita gente de surpresa e colocou na roda de discussão o futuro de um grupo de empresas liderado por um homem que ajudou a construir a história da TV aberta brasileira. Por conta de uma fraude bancária de R$ 2,5 bilhões do Banco PanAmericano, o Grupo Silvio Santos teve que colocar todas as mais de 40 empresas – incluindo o SBT, como garantia para um empréstimo com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para saldar os problemas. Como o fundo é uma entidade privada, não houve uso de recursos públicos.

Um ditado popular fala que “só o olho do dono é capaz de engordar o gado”. Mas, no caso de Silvio, essa expressão parece que entrou pela culatra. Em todos esses anos de comunicador e empresário, Silvio Santos sempre se orgulhou de imprimir a própria personalidade em seus negócios. No entanto, de uns tempos para cá, o empresário [de televisão] tem tido uma coleção maior de erros, do que de acertos.

Pensando no futuro empresarial, colocou vários membros da família administrando setores estratégicos, fazendo que o Grupo Silvio Santos tenha essa característica de uma organização familiar que nem sempre valoriza a capacidade individual, mas sim os laços de parentesco. A maior prova dessa incapacidade administrativa já se mostrava na grade do SBT. Mudanças repentinas de horário dos programas, contratações equivocadas e programas que entram no ar com a missão de dar audiência a qualquer custo, ter um bom faturamento comercial e não, necessariamente, cultivar a preferência do telespectador.

Foi apostando nessa conseqüência de erros, que a Record tirou a vice-liderança do SBT. E, mais recentemente, a Band deixou o SBT em quarto lugar no prime time. E isso afeta o Silvio? Parece que não. A entrevista que ele deu à Folha (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/829634-se-pagar-bem-claro-que-vendo-o-sbt-diz-silvio-santos.shtml) é uma prova viva disso, onde o “Homem do Baú” vê o SBT como hobby. Já nesta entrevista para a Revista Veja – reproduzida na íntegra pelo site do Grupo Silvio Santos, o comunicador está mais consciente da crise que afeta o seu grupo empresarial (http://www.gruposilviosantos.com.br/noticia.asp?cod=47).

A pergunta que não quer calar: o que será do SBT? Por mais que esse ano tenha sido de coberturas atípicas como eleições e Copa do Mundo, a emissora de TV da Anhanguera cancelou a estreia (e produção) de alguns programas por conta de um controle maior dos gastos. Além disso, vários artistas têm feito contratos mais curtos com o SBT, de seis meses a um ano. Sem contar que o canal resolveu produzir novelas em um ritmo totalmente diferente do mercado: menor número de capítulos e tudo gravado antes de ir ao ar com meses de antecedência, não levando em conta a resposta do público.

A impressão que fica é que o SBT visa apenas resultados imediatistas, e não o telespectador que se vê cada vez mais distante daquele que já foi o rei dos domingos e o dono do baú da felicidade. No olho do furacão, é hora do SBT repensar o seu papel no mercado e tirar o ranço da administração familiar, antes que seja tarde demais.

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*Autor: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.



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