Damages: Que um dia seja feita justiça com Glenn Close (series finale)

17 de setembro de 2012 0 Por Endrigo Annyston

É com aquela famosa dorzinha no coração que eu me despeço de Damages, série que comecei a assistir do nada pelo AXN, numa época em que ainda não existia esse compromisso de conferir todos os episódios de uma produção.

Lembram como era? Seguíamos pela TV, com atraso e, quando não nos lembrávamos ou perdíamos a reprise, ficava por isso mesmo.

Hoje é comum ler “ainda não vi tal episódio” ou “ainda não cheguei nesse”. Cada um assiste quando dá vontade.

Como era sem compromisso, não dei sequência, mas ficou aquele vazio. E todo mundo comentava a série de Glenn Close. Em meados da segunda temporada decidi que era a hora de uma maratona. Tive a certeza de que todos os comentários eram justos. A produção é uma das melhores no segmento séries.

Em cada temporada a sensação de que se tratava de um único grande episódio dividido em peças que formavam um quebra-cabeça. A cada semana íamos juntando-as e nos surpreendendo com as revelações e os embates entre Patty e Ellen.

Depois, o susto. Damages foi cancelada. Como assim? Quem é o louco que interrompe a produção de um dos roteiros mais inteligentes da TV? Gerou barulho na internet e, ufa, a Directv salvou milhões de fãs e possibilitou que Damages tivesse um desfecho. E é chegada a hora da despedida com um grande enfrentamento entre as protagonistas da história.

Até o episódio anterior eu ainda tinha uma pulga atrás da orelha com relação a “morte” de Ellen. A heroína realmente iria morrer? Bem, era o que anunciava o teaser da produção. Patty Hewes sairia vitoriosa? E presa.

No series finale, após a consulta de Ellen com a medica, imaginei que ela estivesse grávida. Em uma das passagens em que ela aparecia jogada no chão, notei que não havia sangue e matei a charada. Nos pegaram de surpresa, pra variar!

Num balanço final, sinceramente, achei essa a pior temporada. Nada bombástico aconteceu, não deu aquela vontade de que a semana passasse rapidinho para que víssemos o que iria rolar. Os dois últimos episódios foram mais no clima do que a gente espera de Damages.

Achei uma bobagem essa história do McLaren, a aparição da mãe de Ellen juntamente com o pai violento ou essa relação estranha entre Patty, seu pai e Kate. Tudo bem, quiseram mostrar um pouco do outro lado das advogadas, mas… não estava rendendo.

Acredito, aliás, que Patty desistiu muito rapidamente de seu caso. Não deu nem aquele gostinho por vê-la perdendo.

A sequência, no entanto, foi sensacional. Glenn deu um show com Patty esculhambando o pai e, depois, ao saber da notícia da morte de Michael. Por sua culpa – e ela já se sentia por cima da carne seca pelo “sumiço” de Ellen.

Ali e quando estava sozinha no carro, num clima “O Diabo Veste Prada Returns” a atriz mais uma vez mostrou seu poder de fogo e me deixou a sensação de vazio, que ela também deve nutrir. Por que as premiações não lhe fazem justiça? Ela sempre sai de mãos abanando mesmo sendo tão incrível!

Mesmo após um ano morno, Glenn, Rose Byrne, todo o elenco, roteiristas e produção merecem reconhecimento. Damages entra para a história como uma das melhores séries. Inteligente, astuta e com uma agilidade pouco comum. Tinha o que contar.

E fará falta.

Adeus Patty, você é inesquecível!