Datena pede demissão e aflora crise na Record


*Por Wander Veroni 

E a lua de mel entre José Luiz Datena e Rede Record durou pouco. Nessa sexta-feira (29/07), Datena pediu demissão da Record e voltou para a Band. Foram 43 dias – quase dois meses, onde a emissora da Barra Funda ressuscitou o antigo Cidade Alerta e voltou a investir no jornalismo mundo cão. Polêmico e volátil, Datena – desde que foi para a Record, não escondeu que estava namorando a Band. A notícia foi dada com exclusividade pelo jornalista Flávio Ricco, do Uol, e repercutida à exaustão pelas redes sociais e nos demais portais de notícias. Menos o @portalR7, que até o fechamento deste texto, não deu uma linha sobre o episódio. Assista a despedida:

Mesmo tentando manter as aparências, o fato é que Datena estava insatisfeito com a censura do jornalismo da Record. Em entrevista ao jornalista Alberto Pereira Jr, que faz a Coluna Zapping, do @siteF5, da Folha.Com, Datena disse:  “É difícil um jornalista trabalhar sem liberdade”. O colunista ainda revelou que Datena “era censurado e tinha de definir diariamente as reportagens de seu programa com a alta cúpula. Não podia tratar de temas religiosos nem de crimes contra gays. A multa milionária, de cerca de R$ 18 milhões – que ele tinha com a Record e motivou a sua transferência, foi perdoada. De volta à Band, ele reassumirá o Brasil Urgente no dia 8 de agosto. Com o retorno do “filho pródigo”, Luciano Faccioli retoma o comando do telejornal matutino Primeiro Jornal. Talvez não seria a hora ideal de Datena pedir à Band um descanso de imagem de pelo menos dois meses, não? #FicaADica

Mas a saída de Datena da Record aflora uma crise que já existe há algum tempo na emissora de Edir Macedo. O vale-tudo pela audiência fez com que a emissora sacrificasse os intervalos comerciais durante boa parte da programação, além de contratar artistas e jornalistas a peso de ouro, num valor que não condiz com o mercado. No final, ao fechar a conta, a Record verificou o peso dessa estratégia: um aumento significativo nos gastos. Para variar, a corda arrebentou para o lado dos mais fracos. Ao invés de rever o seu organograma, diminuir salários e colocar pessoas na direção que realmente entende de televisão, a emissora da Barra Funda ordenou fim das horas extras e uma economia de luz, água, telefone e internet.

Não que a Record esteja com problemas financeiros. A questão é outra. Gastou-se muito e não obteve o retorno esperado. Difícil fechar as contas da TV quando o comercial é sacrificado para aumentar pontos de audiência. O mercado publicitário reagiu. A emissora voltou atrás e quer colocar a casa em ordem. Será? Outro problema da Record, de um tempo para cá, são as constantes mudanças de horários de programas. Não há tradição nos horários e basta alguém novo entrar na direção que tudo muda, principalmente nas Praças.

Sem se dar conta desses problemas pontuais, a Record atrasa o seu plano de “caminho da liderança” e se vê brigando diretamente com SBT e Band. Com um abismo de folga, a Globo observa de camarote essa crise que – se houver boa vontade administrativa e gente competente, ainda dá tempo de ser solucionada. Prova do “inferno astral” da Record é #AFazenda4, que ainda não decolou no Ibope em São Paulo, mas é tem alcançado números expressivos no Rio de Janeiro e no Nordeste. Com o amigo @annystonreal disse uma vez: a Record tem síndrome de Lady Kate. Tem dinheiro, mas falta o “gramoour”. Hora de rever isso, antes que seja tarde demais.

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.  

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