Depois de anos tentando, Globo acerta no cardápio de series

11 de junho de 2011 1 Por Endrigo Annyston

*Por Wander Veroni

O brasileiro ama teledramaturgia. Não é à toa que as novelas são, desde os primórdios da TV aberta, as maiores audiências entre os telespectadores. No entanto, o formato de série é mais recente do que o de novelas. Ainda estamos caminhando, ao contrário dos Estados Unidos que ficou especialista no assunto. Creio que o Brasil (ao lado do México) é especialista em novela. Depois de vários anos tentando, finalmente a TV Globo acertou no cardápio de séries desta temporada.

Gosto de séries. Sempre gostei, principalmente as americanas. Acompanhei (e acompanho) um monte. É um formato mais objetivo e que permite muitas possibilidades. A TV Globo mesmo já produziu mini e macrosséries excelentes, inclusive. Teve Malu Mulher, Anos Rebeldes, Mulher, A Casa das Sete Mulheres, A Cura, A Muralha, As Cariocas, Antônia, Cidade dos Homens, Força-Tarefa, Sai de Baixo, Toma Lá, Da Cá, só para citar alguns exemplos. Teve muitas experiências marcantes não só na emissora carioca, mas em outros canais. No entanto, muitos projetos não foram adiantes e se tornaram esporádicos. Também já teve séries, na própria Globo, que foram canceladas pelo fator audiência, como no caso de Norma, Batendo o Ponto, Aline e SOS Emergência. Diferente de A Grande Família, série semanal que está a uma década no ar e, ao que parece, ganhou um fôlego interessante neste ano.

Em 2011, Record, Band e Globo resolveram apostar mais no formato. Os bispos resolveram investir em minisséries bíblicas: poucos episódios, elenco enxuto e a carteira aberta para desembolsar o que fosse preciso na parte de artes visuais e acabamento final. Já a emissora do Morumbi, ainda não estreou nenhuma, mas é sabido que ela irá se associar a produtoras independentes para a realização das produções. Mas, o grande destaque, fica para a Vênus Platinada que abriu um espaço interessante na sua grade – na chamada segunda linha de show, como há muito tempo não se via.

Inclusive, a Globo pretende estrear, em breve, na faixa das 22h, a macrossérie O Astro, baseado na novela de Janete Clair e Lauro César Muniz (atual autor da Record), exibida originalmente em 1978, na TV Globo. O remake será feito para comemorar os 60 anos de televisão no Brasil, cuja adaptação será feita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, sob a direção de núcleo de Roberto Talma.

Mas, enquanto O Astro não chega, arrisco a dizer que, neste primeiro semestre, Divã, Mulher Invisível e Tapas e Beijos são gratas surpresas, por apostarem no popular, sem ser popularesco. Há ainda Lara com Z e Macho Man que – apesar de um texto bem seguro e atrativo, parecem homenagens aos seus protagonistas na vida real. Derivados de filmes, Divã e Mulher Invisível se mostram, já no formato de série, muito melhores do que quando as histórias foram levadas às telonas. Divã, sob a liderança interpretativa de Lilian Cabral, mostrou-se uma série humana e engraçada.

Os dramas de Mercedes (Lilian Cabral), divorciada e voltando à psicanálise, é tão comum que faz com que não só as mulheres, mas os homens se identifiquem com as histórias e aventuras da artista plástica. Cabe também um parabéns especial ao elenco, direção e, principalmente, ao roteirista Marcelo Saback (que já atuou em várias novelas como ator) pela sensibilidade de misturar drama com humor na medida certa. Ele é uma grande revelação como autor! A Globo deveria investir mais nele! Pena que por conta da próxima novela das 9, Lilian Cabral esteja impedida de realizar, ao lado da equipe, a segunda temporada de Divã. Torço para que ano que vem, após o final da novela, a Globo retome o projeto e faça mais temporadas.

E por falar em séries, lembro-me que no final da década de 1990, o sumido autor de novelas das 7, Carlos Lomabardi, foi um dos pioneiros em levantar a bola das séries – e um dos que mais mostrava entusiasmo na mídia, para que a Globo abrisse espaço para este tipo de produção, não só a de temporadas, mas as esporádicas. Hoje vejo que Lombardi não estava errado. As séries, economicamente falando, são mais baratas que as novelas e dão menos trabalho. Além disso, são um formato interessante para exportação. Não que as novelas sejam ruins. São formatos diferentes. Ponto. Há espaço para as duas. Como disse, o brasileiro ama novela! Mas é bom para o público e para os roteiristas conferirem outros formatos que dão mais liberdade e agilidade à trama. A cabeça agradece a diversificação e, acima de tudo, a criatividade.

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.