“Dia Dia”: o calcanhar de Aquiles da programação da Band

Satisfeita com os bons resultados alcançados pelos programas da Eyeworks em 2011, a cúpula da Band nomeou Diego Guebel, executivo da produtora argentina dona do formato do CQC, como diretor artístico da emissora. A missão de Guebel nesses dozes meses prestes a se encerrar não era das mais fáceis, afinal, era preciso manter a boa fase na linha de shows e expandir o sucesso para faixas mais apagadas da grade da emissora, como a manhã e a tarde. Reformulações foram feitas nestes horários no sentido de colocar a Band numa posição mais confortável ao longo do dia, mas o retorno não veio.

Ensaiando lançar um novo vespertino há tempos, a Band optou por apostar no Muito +, uma espécie de TV Fama vespertino capitaneado por Adriane Galisteu. Desde o início, o canal demonstrou não acreditar muito na própria aposta, visto que o Muito + foi lançado em janeiro como um programa de verão. A atração durou mais do que o verão, mas não conseguiu ultrapassar o dia das crianças, perdendo a vaga para o Popeye em outubro deste ano. Nestes meses no ar, o programa não foi de todo ruim: Adriane é talentosa, e os coapresentadores Lisandro Kapylla e Rita Batista foram gratas surpresas. Além disso, Muito + se mostrava como uma opção mais descontraída e colorida em meio aos programas vespertinos sensacionalistas dos demais canais.

Mesmo assim, Muito + não escapou, ele mesmo, de sua dose de sensacionalismo. A atração passou a explorar demais algumas “polêmicas” envolvendo celebridades, algumas sem o menor fundamento, e acabou arranhando sua imagem diante das estrelas, que eram o combustível do programa. Não dá pra fazer programa sobre celebridades sem celebridades. Veja o próprio TV Fama, que foi obrigado a apostar em personalidades do décimo quinto escalão porque se tornou persona non grata entre as estrelas de fato. Não bastasse tudo isso, Muito + parecia estar com cada um dos pés em diferentes canoas: enquanto os VTs e coapresentadores tratavam de botar lenha na fogueira, Adriane Galisteu tratava de botar panos quentes nos assuntos mais controversos. Se Morde & Assopra não fosse título de novela da Globo, seria um excelente nome para a atração. Essa mistura soou estranha e o programa deixou a grade sem dizer a que veio.

Se a gestão Diego Guebel não conseguiu dar jeito nas tardes da Band, as manhãs também seguem em maus lençóis. Neste ano, as reformulações incluíram novidades no Primeiro Jornal e uma maior aposta no público infantil e adolescente, ampliando o espaço do Band Kids. Quanto a este último, a emissora acertou ao ampliar seu espaço, visto que a programação do gênero diminuiu na concorrência, com a extinção da exibição diária da TV Globinho. No entanto, Band Kids segue sem muito impacto junto a este público, sobretudo por erros da própria emissora, que prefere apostar em seriados de gosto duvidoso na faixa, enquanto mantém na gaveta animações de forte potencial. Não dá para engolir o fato de que Dragon Ball GT está em exibição apenas para São Paulo na faixa vespertina, enquanto seguem em exibição nacional nas manhãs títulos como Drake & Josh e Kenan & Kel.

Mas o grande calcanhar de Aquiles da faixa matinal atende pelo nome de Dia Dia. Não dá para entender os motivos que levam a emissora a manter no ar um programa tão inexpressivo. Daniel Bork, cunhado de Johnny Saad, está nas manhãs da Band há tempos, sem nunca ter oferecido grande retorno. Já apresentou programa sozinho, ou na companhia de nomes como Lorena Calábria, Patricia Maldonado e Silvia Poppovic, mas entra ano e sai ano, e lá ele se mantém, intocado, fazendo suas receitas. Em 2012, a emissora apenas inverteu os horários do Dia Dia e Band Kids, conseguindo mais coerência na grade: com a manobra, abriu mais espaço para o infantil e “colou” o Dia Dia no Primeiro Jornal, aproximando públicos de maior afinidade. Com Dia Dia depois do Band Kids, havia uma “quebra” perigosa de público.

No entanto, tal manobra não serviu para refrescar a situação do Dia Dia, até porque o Primeiro Jornal também tem problemas de audiência. Mesmo assim, não se cogita a extinção ou a substituição do programa de Daniel Bork. Assim, é possível prever que, enquanto for mantida a “blindagem” a Daniel, as manhãs da Band seguirão praticamente inexistentes. Afinal, se o Muito +, que era mais visto que o Dia Dia, não teve tal chance, por que diabos o Dia Dia segue intocado? A Band não irá muito longe se não promover reformas urgentes nestes espaços.

Em 2012, Diego Guebel não conseguiu cumprir sua meta de dar um up nas manhãs e tardes da Band. E, como se viu, para alcançar tal meta, precisará promover reformulações verdadeiramente profundas. Além de Daniel Bork, o noturno Show da Fé de RR Soares é outro calcanhar de Aquiles da grade. Enquanto Diego Guebel não tiver carta branca para mexer nestes “intocáveis”, a Band continuará em sua parca colocação.

Por André San


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