Domingos ganham outro status com Regina Casé e o Esquenta

11 de dezembro de 2012 0 Por Endrigo Annyston

Pensar em “povo” na TV, em tempos de classe C, significa, em novelas, gente falando alto, fazendo churrasco na laje, comprando em promoção, sonhando ser “a cara da ryqueza”.

No humor, tipo a Adelaide do Zorra Total: uma classe sendo representada de forma pejorativa. A pessoa é pobre, negra, desdentada e ainda briga por “centarros”. No formato “reality”, cabe aos programas sensacionalistas focarem nos crimes em favelas e redondezas.

A TV brasileira, portanto, parece não dar valor aos menos favorecidos. A sensação, portanto, é que eles servem para entreter através de sua falta de cultura, modos.

Aí você liga a TV, em pleno domingo, e se depara com Regina Casé. Negros, mulatos, cadeirantes, deficientes visuais, brancos, sambistas, rockeiros, ricos e pobres, todos reunidos para mostrar sua arte, seu real valor.

Se compararmos com o que foi citado no início deste artigo, parece um universo paralelo. E é.

Regina Casé tem o dom de conversar sobre tudo e com todos, sem distinção. É uma comunicadora no real sentido da palavra.

Casé sempre fez diferença no universo televisivo. Hoje, no entanto, em meio a um vale tudo por audiência, que cada vez mais se intensifica, ela prova, mais uma vez, que é possível, com o simples, com material humano, fazer diferença e conquistar o telespectador.

Quando tantos profissionais da TV pensam ter um rei na barriga, Casé, povão, gente como a gente, é como um oásis. E é bom do tipo que dura pouco, o Esquenta vai e volta, em ritmo de temporadas.

Ou seja, o famoso “tudo que é bom, dura pouco”. Enquanto isso, aturamos todo o resto na programação dominical.

Eu olho para Regina Casé e seu Esquenta e visualizo o Chacrinha da nova geração. Popular sem ser popularesca, caricata ou falsa.

Ela é o que é sem vergonha de ser feliz e faz questão de compartilhar sua alegria. Posso dizer, sem pestanejar, que é caso de missão cumprida.

Casé, aliás, é a prova de que é uma tremenda bobagem essa história de a Globo estar voltada para a classe C. Ela tem no histórico o Brasil Legal, Central da Periferia e demais atrações, de sucesso, que retrataram essa e toda as outras classes na emissora.

Não cabe, no entanto, restringir a apresentadora. Colhe os frutos de um trabalho digno, do tipo sucesso merecido.