É dia de estreia no Cena, bebê! Agora temos um ombudsman

Olá pessoal. Quero  fazer uma breve introdução, embora muitos aqui já me conhecem. Estou assumindo um desafio aqui no Cena -uma proposta feita pelo Endrigo e que me surpreendeu em vários aspectos. Não no aspecto de sentimento de democracia que permeia o Cena e que sou testemunha durante tantos anos – um lugar onde sempre fui respeitado e onde sempre tive voz -apesar de muitas vezes me colocar diametralmente oposto à corrente de opiniões do dono do site. Acredito que bons jornalistas não se fazem numa atmosfera onde as vozes dissonantes são suprimidas. É no desafio e no choque de idéias, na discussão (até acalorada, porém respeitosa), nas oposições de alto nível onde encontramos aquela centelha que nos faz pensar. Assim se faz grandes democracias e assim se faz grandes espaços de comunicação.
O que me surpreendeu então??? A natureza da proposta. O Endrigo me propôs nada menos do que ser um ombudsman do Cena. Uma espécie de crítico do próprio site. Pessoalmente não gosto muito da idéia de ombudsman porquê essa supõe  imparcialidade e sinceramente não sei se terei a imparcialidade necessária pra isso. Além de trazer uma aura meio ruim de pouca credibilidade. Muitos não acreditam na figura do ombusman porque ligado ao corpo que ele próprio critica. E aqui devo esclarecer que não recebi por parte do Endrigo nenhuma proposta indecente no sentido de pegar leve, de deixar de abordar certos temas. Em resumo, há total liberdade para, vamos assim dizer, descer o cacete, rs. Claro, com respeito, sempre discutindo idéias e não pessoas. Em suma não existe nenhuma espécie de chapabranquismo. Existe uma CONTRACORRENTE.
Porém, preferia mais ser um contraponto do que propriamente um ombudsman. Há diferenças substanciais entre os dois modelos. Enquanto o ombudsman desenvolve uma crítica com base na opinião dos leitores (em termos exatos o ombudsman é a própria voz do leitor), no Contraponto há a crítica, porém essa é embasada pelo que é publicado pelo site.  Nesse último modelo o leitor será levado em conta à medida que é esse que movimenta o site, mas não existirá a obrigação de tê-los como base principal para o desenvolvimento das críticas. Me sentiria com mais liberdade e até mais a vontade, livre dessa obrigação  de ser necessariamente a voz do leitor. Até porque muitos deverão discordar mais de mim do que propriamente do site, cuja opinião sobre o mundo televisivo bate mais com a do autor do site do que  com as minhas. Mutos aqui conhecem minhas opiniões e sabem essencialmente a linha de pensamento que sigo sobre o mundo televisivo. De certa forma tenho sido um contraponto ao site na caixa de comentários do forum. Aos que não me conhecem faço um convite para que leiam o que será escrito e façam seus julgamentos. É isso.
Bola pra frente então. Vai aqui minha primeira crítica:
JORNALISMO INFORMAL
Muito se tem falado da informalidade nos telejornais. Parece que essa moda desembarcou em terras tupiniquins e veio pra ficar. A invasão da nova classe “C” trouxe consigo uma demanda mercadológica e tem contribuído para mudanças estruturais nas emissoras de tevês. A principal mudança passa pelo desenvolvimento do jornalismo informal, em busca  de se aproximar mais do público e se livrar daquele tom sisudo, amarrado e robótico como foi por muito tempo a forma de apresentar telejornais. Nessa busca desenfreada pela informalidade vejo jornalistas cometer excessos e entrando quase no campo do ridículo.
Noto que o CENAABERTA tem adotado uma postura de bater palmas para esse tipo de comportamento. Assim presenciamos um Wiliam Bonner twitando em plena apresentação de um jornal e  um Evaristo Costa fazendo piada (e pra lá de batida, ainda por cima), surpreendendo sua amiga (elegante) de bancada, num jornal que se pretende sério. Peraí, existem limites. 
Até acho legal a idéia de jornalismo informal, mas quando apresentadores levam para a bancada certas brincadeiras e atitudes que só seriam feitas em um clube de amigos ( e por mais que tentem, bancada não é um clube), isso não é pra se bater palmas. Ou então decidam se querem mesmo um telejornal com um mínimo de seriedade ou um equivalente do MONKEY NEWS, do nosso querido José Simão, que faz muito bem o que lhe é proposto a fazer. Fico pensando se tais atitudes acontecessem em outra emissora. Haveria mesmo essa aceitação acrítica por parte do CENAABERTA??? Sei não,sei não… 
A seguir assim, logo logo teremos um Wiliam Bonner subindo na bancada e fazendo strip-tease e o CENA achando tudo uma belezinha que só. Tudo em nome da informalidade. Como disse anteriormente, acho  bacana que os telejornais adotem um tom mais informal. Um comentário mais ousado quando a notícia permita uma maior flexibilidade opinativa (mesmo com certo humor), seria bem aceita e isso bastaria para mostrar que o jornalista é humano e não uma máquina de ler teleprompter. Mas isso não corresponde ao cidadão tirar os sapatos e apresentar o jornal de chinelos, figurativamente falando.

ESTÉTICA DO CENAABERTA
Pois é, pois é. Aqui vou ter que cortar na própria carne. Assim que foi lançado o novo layout do CENA eu próprio elogiei emitindo opinião através da caixa de comentários. Cometi um engano talvez por eu próprio ter me confundido com algo que acabou contribuindo para um problema que pode confundir o leitor. Falo do fato das publicações de releases das emissoras( ou emissora, porque no caso só vejo da Globo), no mesmo lugar em que são publicados os posts de opinião. Assim me surpreendi lendo um release do BBB e achando que aquilo tinha sido texto escrito  pelo Endrigo. Assim sendo, acredito que seria mais palatável que os releases fossem publicados em locais separados dos posts publicados pelo CENA. Ou sendo publicados no mesmo local, que fossem identificados como tais. Uma boa organização não é só colocar dentro de um mesmo saco gatos pardos e xadrez. Cada macaco no seu galho contribui para uma melhor harmonia e uma melhor assimilação dos conteúdos publicados pelo site.
Fico por aqui e espero que gostem, pessoal. Em não gostando podem chutar a canela, puxar a orelha, dar cascudo, contraargumentar  e apontar erros. Estou começando agora e certamente haverá arestas a serem aparadas, em busca da batida perfeita (se é que ela existe mesmo). Só não vale é xingar a mãe.rs
Abraços e até a próxima
* por Ary Nunes


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