Eleições 2010: Quando o brasileiro mostrou o seu pior

6 de novembro de 2010 0 Por Endrigo Annyston

por Emanuelle Najjar

E eis que, para o alívio de todos a briga acabou. Podemos sair de casa em segurança, sem riscos de sofrer atentados com bolinhas de papel ou bexigas d’água. Obviamente devemos agir com cautela devido a uma minoria, mas o indiscutível é que o pior já passou. E o resultado da guerra? Algo já previsto: temos a primeira mulher eleita presidente (ou presidenta, não me pergunte).

Não pretendo falar aqui sobre planos de governo etc. Deixo isso para os jornalistas, colunistas e filósofos comentaristas-políticos-amadores-da-porta-do-boteco. Também não vou muito além do que chamaremos de data histórica, já que, como dito, foi a primeira mulher eleita presidente. Prefiro focar nos tipos de reação que o processo desencadeou nos brasileiros.

Imagino que você saiba o que aconteceu, além da típica e já tão discutida baixaria de campanha. Digamos que tenha sido o regresso da xenofobia na internet, com uma avalanche de tweets ofensivos incitando o ódio e a violência contra os nordestinos a quem foi atribuída a vitória da petista Dilma Roussef. Uma turma de cérebros atrofiados, cuja educação deve ter sido subestimada. E pior: gente que defendia tal atrocidade por entender nossa sociedade como “democrática.” Afinal, não vivemos em uma democracia? – dizem eles.

Poupe-me. Meu estômago merece respeito. Não é justo ver expressões como “democracia” ou “liberdade e expressão” sendo usadas em defesa de algo injustificável.

Independente de ideologia política, independente de pra quem tenha sido o seu voto, não deveríamos esperar que seja um bom governo? Afinal, estamos todos no mesmo barco… ok, ignorando aqueles que mandaram avisar que tem um passaporte.

Todos nós sabíamos que a corrida presidencial seria diferente das demais, mas não que a principal baixaria viesse justamente do eleitor.

Será que isso tem remédio? Ou – em um trocadilho infame com o desejo da nossa querida “estudante-de-direito-a-quem-não-vou-nomear de afogar nordestinos – o eleitor brasileiro conseguirá se afogar em seu próprio preconceito?

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)