Eleições: falando de futuro e ouvindo “mais do mesmo”

15 de agosto de 2010 0 Por Endrigo Annyston

Eleições, e lá  vamos nós.

É hora de encher os ouvidos, de ouvir mais do mesmo e acompanhar uma nova guerra pelos quatro anos de poder. E eis que em meio a mesmice há adversários que prometem uma batalha no mínimo curiosa de assistir.

A petista Dilma Roussef, o tucano José Serra e a candidata do Partido Verde, Marina Silva são as principais atrações do novo circo, em uma temporada que começou mais cedo que o habitual. Provavelmente pelo destaque que a própria mídia ofereceu ao tema, das leis do Tribunal Superior Eleitoral, como o “Ficha Limpa” e sem contar a facilidade da Internet com blogs e redes sociais para amplificar e repercutir quaisquer assunto. Talvez por isso, de antemão pareça que já estamos falando nisso há eras.

Já começamos com a fase de debates e entrevistas. Aliás, um início tedioso com o primeiro debate, promovido pela Band, com direito a orquestra ao vivo e duas horas (ou mais) de puro argumento ensaiado, tendo como único atrativo o candidato do PSOL à presidência Plínio Sampaio, cuja representatividade do partido não lhe assegura uma exposição maior.

Nesta última semana as coisas foram pouco mais apimentadas, por assim dizer. Os candidatos estão foram entrevistados pelo Jornal Nacional. Individualmente, os três principais nomes ao poder estiveram submetidos pelo casal JN a um bombardeio de perguntas sobre temas espinhosos, em um verdadeiro exemplo do “tira bom e do tira mal” típico de filmes norte-americanos.

Diga-se de passagem, três entrevistas mais válidas que as duas horas de debate arrastado, isso deixando de lado as polêmicas sobre o tratamento que os apresentadores do telejornal dispensaram aos presidenciáveis. Tocando nesse argumento então, as opiniões ficam realmente explosivas.

Afinal, é nesta época que os políticos que lavaram as mãos durante três anos acordam pra vida e passam a tratar o eleitor com toda boa intenção do mundo e sem o mínimo interesse em seu voto… e também as mentes pensantes dos filósofos e analistas políticos de boteco inevitavelmente despertam e dispõe-se a expor toda sua sapiência aos incautos.

Diante disso, quem precisa mesmo de pregadores anunciando o fim do mundo?

Nos próximos dias, quem não se interessa pelo assunto tem que tomar providências para escapar. Os próximos tempos serão de superexposição e falatório. Até mesmo a Internet que aparenta ser um local seguro para os querem escapar de determinados assuntos será um território minado, afinal internautas também votam, e outros fazem campanha, vestem a camisa – ou o avatar – e compram briga mesmo.

Para os menos esquentadinhos, sugiro uma viagem demorada para as montanhas, em isolamento total, embora haja grandes possibilidades de um santinho ser jogado em sua mala, e de pregações em nome de um futuro melhor para o Brasil detonarem os tímpanos de pessoas inocentes.

Seja lá que tipo de eleitor for, use de bom senso na hora de escolher seu candidato. Por mais aborrecedor que seja, ainda estamos falando em futuro.

Tente pensar além do que seria trivial, além da promessa de quatro anos de pura reclamação, pois qualquer que seja o resultado, não dá pra agradar a todos, e além da utopia de promessas vazias feitas aos montes a cada quatro anos.

Se bem que o bom senso não é mesmo o forte do ser humano. Esqueça.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)