Enquanto há violência a TV declama batatinha quando nasce?

Sobre a questão polêmica que envolve a classificação indicativa nos telejornais, tenho uma opinião meio diferente da dos demais. Penso que essa nova regra que pretendem criar traz em sua essência um precedente perigoso para a censura ao direito da informação sobre fatos que não podemos controlar e não tem horas pra acontecer.

O mundo decididamente não é um conto de fadas. Sob a égide de coibir os excessos, a própria regra se excede na mordaça. Querem criar um país de Pollianas falso, quando as autoridades nada fazem para cortar o mal pela raiz. Há que se fazer aqui o velho dilema “tostines”: O mundo é violento porque a televisão fala de violência, ou a televisão fala de violência porque o mundo é violento?”

O que as pessoas não enxergam é que essa lei traz embutida o outro lado da mesma moeda que criticam. Pior do que a Record falar só em tragédias é a Record ser obrigada a falar só de flores. Percebeu a diferença?

Há que se criticar a Record por ter essa linha editorial discrepante, porém é inaceitável que pra corrigir essa discrepância criem uma lei que a obrigue a correr pro outro lado, dessa feita com uma discrepância forçada por lei.

Isso é perigoso não só pra Record,mas pra todas as emissoras. Afinal quem garante que no meio-dia um rapaz num surto psicótico invada uma escola e nela faça várias vítimas de crianças inocentes???

Enquanto isso a televisão vai estar declamando “batatinha quando nasce…” e daí não poderá fazer . E assim vamos vivendo felizes para sempre, num país ilusório, até o dia em que um delinquente nos nos coloque um trabuco na cabeça e engatilha.

Oportunamente chamam a Record de urubu. Os urubus são umas das aves mais úteis ao ser humano pelo trabalho que desempenha.

Reconheço que a televisão comete certos excessos em sua abordagem sobre esses temas. Mas tentar de alguma forma proibir o uso de imagem sobre fatos reais é mais daninho do que o efeito indesejável daquele.

Em tempo: Sou favorável à classificação indicativa em programas de entretenimento. Diferente do jornalismo que retrata uma realidade que não escolhe hora pra acontecer, o entretenimento cria uma realidade paralela e sobre ela é possível atuar previamente sem ônus à verdade fatual.

* do internauta Ary

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