Esquenta mostra que o popular também é cultura

26 de março de 2011 0 Por Endrigo Annyston

 *Por Wander Veroni 

“Os meus parangolés podem ser mais facilmente apreendidos num contexto como a quadra da Escola de Samba da Mangueira do que numa galeria de arte. (…) Dentro desse contexto existem exceções. (…) O difícil é ser total. Mas é preciso [isso] para ser criador: ser total. Ser aberto!”.


Foi com uma parte do texto de Hélio Oiticica, chamado Marginália, que Regina Casé, em seu programa Esquenta!, exibido aos domingos à tarde, pela Rede Globo, me ganhou de vez. Parecia que a Regina estava lendo a descrição do programa para o público. Foi lindo! Que mistura boa ver no palco Maria Bethânia, Juliana Paes, Arlindo Cruz, Luiz Miranda, Revelação e Estação Primeira da Mangueira. Confira, abaixo, um trecho do Esquenta!:

O Esquenta! é  um mexidão cultural, uma delícia um abre-alas de Carnaval. Vem com tudo outra vez, Regina! O Esquenta! é a voz da comunidade na TV com dignidade e alegria. É uma prova que é possível valorizar o melhor do popular e da cultura (e música) brasileira sem ser vulgar. Nossa, ainda bem que dei um chance ao programa e venci um pré-conceito pessoal. Confesso que não assisti todos os programas dessa temporada do Esquenta!. Não porque o programa é ruim ou coisa do tipo. Simplesmente, o programa não havia me tocado. E quando tocou bateu lá no fundo do meu peito. Vibrei por ver que a TV aberta ainda tem salvação, ainda mais no domingo à tarde que é tão carente.

Resolvi assistir pelo fato do amigo jornalista Endrigo Annyston propor o programa como pauta da nossa coluna semanal. Não tinha nada contra, nem a favor. Como estou numa fase meio que distante da programação televisiva – ainda mais no domingo, não tinha prestado atenção no Esquenta!. Me arrependi. A atração é melhor do que eu imaginava. É um tapa na cara dos programas de auditório dominicais que apelam para a mesmice, avacalhação e para o sensacionalismo. O Esquenta! é uma mistura boa e o Brasil é uma grande mistura. E é dessa mistura que encontramos a síntese do programa de Regina Casé.

Trata-se de um programa aberto à diversidade da cultura brasileira. Que valoriza os mais humildes e que coloca o negro de uma forma alegre, viva e positiva. A impressão que tive é que o Esquenta! é como se fosse uma reunião de família, de amigos. De artistas que se amam e, acima de tudo, respeitam, conhecem e tem a consciência que estão ajudando a escrever as páginas da cultura brasileira contemporânea. Regina Casé recebe os convidados da atração como se tivesse em casa e como se tudo fosse uma grande festa. É uma coisa tão intimista que contagia. A escolha dos convidados foi perfeita! Tanta gente boa…é muito bom assistir um programa que traz informação e entretenimento de qualidade. O Esquenta! faz a diferença no domingo. Parabéns à produção da atração pela criatividade e originalidade.

Claro que conheço o trabalho da Regina Casé e sou fã do trabalho dela pelo resgate e de valorização da cultura popular. O Esquenta! tarimba outros trabalhos como o Vem com Tudo! e o Central da Periferia, mostrando o quanto é importante mostrar um outro lado dos mais humildes. Só agora pude entender o porquê da crítica e de vários telespectadores falarem tão bem sobre o Esquenta!. A pressão positiva para que o programa continue na grade é tanta que a Globo já confirmou uma segunda temporada, ainda para esse ano, sobre festa junina, conforme adiantou a jornalista Patrícia Kogut, em seu blog do O Globo. Não é para menos: Regina Casé é vida inteligente nas tardes de domingo. Um achado!

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.