Faroeste Caboclo: Mais uma excelente produção nacional

Faroeste Caboclo: Mais uma excelente produção nacional

4 de junho de 2013 2 Por Endrigo Annyston

Vou começar usando um comentário feito por minha prima após assistirmos ao longa: você tem noção do quanto o Michel Telo ganha pra cantar musicas com só duas palavras?

E eu complementei: com certeza muito mais que o Renato Russo ganhou para compor Faroeste Caboclo e toda a sua obra musical.

Russo, não fosse todo o seu vasto repertório, canções que embalaram gerações, conseguiu emplacar uma musica que relata toda uma historia, com começo, meio e fim. Fez os jovens daquela época cantarem na ponta da língua esse “livro” que dura quase dez minutos. Nada menos que genial.

Tão genial que deu pra levar a historia de Faroeste Caboclo para as telonas. É quase que a íntegra do que ele escreveu.

Raramente saio satisfeito do cinema quando reproduzem um livro, sempre dá a sensação de que copiaram tudo e não acrescentaram nada. Em alguns casos, dada a complexidade do assunto, parece que faltou empenho ao tentar esmiuçar o tema, torná-lo crível. Tipo O Código DaVinci: o livro tem muita informação e o filme fez um resumão bem de qualquer jeito.

Faroeste Caboclo, no entanto, apesar de ter uma duração maior que o habitual. não chega ser um livro. Acredito que isso facilitou a vida dos roteiristas. Com a sinopse dada de mão beijada por Renato Russo, buscaram uma excelente direção e um elenco que tornou real esse grande sucesso da música brasileira.

Ao final do longa, uma certeza: Renato Russo fez uma puta letra e, a partir dela, o cinema brasileiro ganhou um puta longa. Muito bem produzido, um elenco repleto de boas atuações. Isis Valverde, Fabrício Bolivieira, Felipe Adib e César Troncoso, o Dom Rafael de Flor do Caribe. Também o ator e diretor Marcos Paulo em um de seus últimos trabalhos antes de falecer.

Mais incrível que o filme foi a reação do público que estava no cinema: as pessoas só deixaram o local quando, ao final dos créditos, Faroeste Caboclo terminou de ser executada.

Um filme tão bom quando Somos Tão Jovens. A obra de Renato Russo está muito bem representada nas telonas, e em dose dupla.