Fenômeno: o ícone, o ponto final e o luto

20 de fevereiro de 2011 0 Por Endrigo Annyston

Para quem alardeia que 2012 é o ano do fim do mundo, creio que seu antecessor esteja dando todos os sinais de veracidade da lenda. Um ano que já começou movimentado e com alguns acontecimentos realmente significativas incluindo até a queda de ditadores que tinham poder em mãos há pelo menos trinta anos. Mesmo que o apocalipse não aconteça na data marcada, os acontecimentos insólitos continuam a todo vapor.

Certo, mas não estamos aqui para falar da condução política do mundo árabe ou do fim do planeta Terra. Falemos então de um acontecimento mais próximo de nós, igualmente importante em termos de mídia. Isso aí: estou falando da aposentadoria de Ronaldo Fenômeno.

A aposentadoria anunciada no dia 14 de fevereiro foi o final dramático de uma carreira brilhante. As lágrimas durante a coletiva de imprensa resumia bem qual era o sentimento, assim como a repercussão que sua decisão teve no mundo do esporte. E Ronaldo foi importante a ponto de muitos telejornais ocuparem praticamente todo o seu tempo no ar falando sobre sua carreira do fim ao começo e não necessariamente nessa ordem.

Em destaque o seu brilhantismo e sua história de superação contados de uma forma tão especial e imaculada que tive dúvidas se por acaso Ronaldo estava somente deixando de ser um atleta. O tom era tão saudosista que pareciam estar falando em morte: aquela ocasião em que tudo de negativo fica relegado ao segundo plano e só se lembra dos bons momentos e os episódios de superação. E olha que os fatos aleatórios foram inúmeros.

Caso você tenha uma boa memória, lembrará que vitórias e escândalos tivera igual privilégio em sua história, nem preciso dizer mais. Basta dizer que era um dos assuntos preferidos de tabloides e programas de TV cujo maior atributo e formar e discutir subcelebridades. E ainda assim Ronaldo continuou importante e rentável o suficiente para ser a imagem de vários patrocinadores, mesmo nos piores momentos. Um caso raro de força e sorte – e também uma boa assessoria.

Pareceu uma morte em vida. Talvez até tenha sido. Acho já o consideravam aposentado mesmo sem uma declaração oficial enquanto uma maioria esperava por mais um episódio de ressurreição. E o ponto final acabou gerando sentimento de luto, emocionante o bastante para fazer alguém que não liga pra futebol ou não gostava de sua estampa pensar no quanto alguém como ele fará falta, mesmo que nos últimos tempos Ronaldo fosse mais uma marca do que um jogador.

Atleta ou ícone: Seja como for, vai deixar saudade.

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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)