Fina Estampa: trama das 21h com corpinho de 19h

Eis que Insensato Coração terminou, o Léo morreu, todo mundo ficou sabendo quem afinal matou a Norma e uma nova novela começa. Sim, personagens morrem, casamentos acontecem, novelas acabam e outras começam. E a recém-nascida dessa vez foi Fina Estampa, escrita por Aguinaldo Silva.

Quem esteve conectado nos últimos tempos deve ter notado que, embora não tanto na mídia quanto parece ser uma novela prestes a estrear, Fina Estampa começou a gerar buzz pela escolha do elenco – que sofreu algumas baixas não admitidas – e também pelas palavras provocadoras de seu autor. Tudo bem que já o conhecemos justamente por essa característica, porém nos últimos tempos essas palavras surgiram de forma mais frequente e com alvos certos. Mas ok, releve: vamos a trama.

Uma das críticas que li a respeito – ou das várias – foi que sua trama tinha uma pegada de novela das 19h, especialmente por uma das histórias principais ter a ver com outra que rola neste horário: filho com vergonha da mãe e da origem humilde. Salvo as especifidades entre autores e horário, a essência é a mesma. Não que francamente me importe, como telespectadora: o nível de crueldade me parece bem diferente assim como o tom emprestado pelas atrizes, que francamente divergem: não por desempenho, mas pela personalidade das personagens. Também na comparação entre os horários há o dom para o texto leve proporcionado por núcleos mais cômicos, com uma linguagem mais próxima da popular e de cenas leves até o momento, o que é bastante válido depois do banho de sangue de sua antecessora.

Aliás, falando em comparações, Fina Estampa estreou em alta na audiência da Grande São Paulo, com 41 pontos e picos de 44. E tudo isso, como disse o colega Wander Veroni, tudo isso sem assassinatos, sequestros e parafernálias bélicas. Os números bem podem ter sido efeito de Insensato Coração, mas é um tremendo alento em tempos de “torce-que-sai-sangue”. Tudo bem que haverá sim cenas violentas, vá esperando isso já que aparentemente temos uma ação de merchandising social sobre violência doméstica a caminho, porém não vê-las em peso em um primeiro capítulo foi interessante.

Durante esta primeira semana surgiram os clichês, as boas atuações e os pontos que merecem ser observados. De qualquer modo ainda está no início, com acontecimentos embrionários. Muita coisa ainda vai acontecer além de muitas outras falas polêmicas do autor da obra. Resta esperar.


 ________________________________________________

* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*