Fórmulas prontas nem sempre são garantia de sucesso

Por Wander Veroni*  

A receita, aparentemente, é bem simples: comprar um formato consagrado em vários países e fazer a adaptação para o Brasil. Garantia de sucesso e respaldo de uma produção que já conhece todas as etapas de pré e pós produção. Para quê quebrar a cabeça com novas atrações? A chance de dar certo é bem maior do que de dar errado. Será? Neste segundo semestre, as principais emissoras da TV aberta resolveram apostar nesse filão como forma de dar um novo gás à audiência e o resultado ainda deixou muito a desejar em alguns aspectos.

É difícil avaliar se o público de realitys e games show saturaram. O fato é que está cada vez mais evidente é que as TVs estão cada vez menos preocupadas com o que o público pensa ou quer. Contanto que o programa em si tenha bom faturamento comercial, quem se importa com a audiência? De longe, é essa impressão que o telespectador fica, o que é muito ruim, para falar a verdade.

Gosto de reality e game show. Dependendo do formato, são programas universais. Exploram a competição, o drama, a torcida e  podem ser comercializados em várias plataformas, como TV, rádio, celular, internet e mídia impressa. Foram os realitys que mais abusaram do conceito de transmídia, principalmente o Big Brother Brasil.

Mas, confesso que estou perdendo a minha paciência com a TV aberta comercial. A falta de respeito com o telespectador, tanto em qualidade, quanto com o que é oferecido – o que já foi milhares de vezes debatidos aqui e em outros tantos espaços, tem me afastado dos realitys e games na televisão. Confesso que tentei assistir o “Busão do Brasil”, mas o programa não tem um horário fixo na Band. Na internet – pelo menos no site da Band, só é possível assistir trechos e nunca o programa todos. O “Hipertensão” passa muito tarde. Para quem acorda cedo já é rifado logo de cara. Além do mais, o programa começou outro dia e ainda não é possível avaliar o quanto essa nova proposta sob o comando da jornalista Glenda Kozlowski ficou ou não interessante.

No final de setembro, a Record promete estrear o “A Fazenda 3”. Pelo que já anda pipocando na mídia, o elenco de participantes parece ser o mais interesse de todas as temporadas e a produção parece que caiu a ficha para a importância do fator “novidade” para que o programa emplaque. Mas, quando falamos em Record, fica difícil avaliar porque a emissora é campeã da grade instável. Façam as suas apostas por quantos horários diferentes a Fazenda vai passar? Na contramão dos realitys, temos o game “Topa ou não Topa”, no SBT, que reestreou sob o comando do Roberto Justus sendo uma opção interessante para quem quer fugir do futebol às quartas. Já a RedeTV! estreou o “Último Passageiro”, com Mário Frias, que lembra muito aquelas gincanas que o SBT fazia na década de 1990. Ou seja, nada de novo: só o mais do mesmo repaginado.

Ao avaliarmos os programas, o fato é que eles são opções interessantes e ainda podem ter sobrevida por alguns anos. Mas, por quanto tempo? Entretanto, falta das emissoras de TV mais jogo de cintura e ouvir o público a respeito do horário em que as atrações vão ao ar e, principalmente, convidar o público a fazer parte da atração em si. Com a força das redes sociais que temos hoje, é impossível pensar em TV de uma forma passiva entre produtores e público. O elo precisa ser fortalecido, pois a TV que conhecemos hoje está cada vez mais perto do fim.
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*Autor: Wander Veroni, 25 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV, ambas formações pelo Uni-BH. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias. 



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