Insensato Coração e a melhor abordagem contra a homofobia da história das novelas

6 de agosto de 2011 0 Por Endrigo Annyston

Já disse aqui que nunca tinha visto uma história de amor entre dois homens retratada com tanta naturalidade.

O amor foi chegando de mansinho, foi rolando uma insistência somada ao medo, desprezo, angustia, até que a conquista, como acontece com todos nós, resultou em um relacionamento.

Não é assim que funciona? Esse envolvimento, rolando aos pouquinhos, chamou a atenção dos telespectadores. Sem barulho por beijo gay nem nada, apenas o amor entre Eduardo e Hugo.

Só por isso eu já listaria Eduardo e Hugo como o casal gay mais convincente das novelas, no entanto, Insensato Coração ainda vai ostentar o mérito de ter feito a melhor abordagem contra a homofobia de todos os tempos na teledramaturgia.

Nunca vi tanta ousadia e competência, a realidade das ruas está ali, sendo discutida no produto mais visto da TV brasileira e com praticamente o mesmo espaço que o dos protagonistas.

É tanto realismo que nesta semana algo mexeu com todos que acompanham o folhetim: a morte de Gilvan, um garotinho, veio primeiro para chocar e depois para ampliar o debate sobre esse crime bárbaro que é tirar a vida de alguém unicamente por gostar de alguém do mesmo sexo.

Assim como o marido que tira a vida da mulher ou um bandido que sai disparando contra crianças em uma escola, a homofobia também é um crime bárbaro e, se desejamos um mundo melhor, essa discussão deve ser feita.

Que bom que é em uma novela, preferência nacional. Os ecos da trama se espalharão por todas as rodas de debate e, se Insensato Coração conseguir conscientizar uma única pessoa que seja, acho que o trabalho digno e sensível de Ricardo Linhares e Gilberto Braga, somado ao elenco maravilhoso, terá valido a pena.

Parabéns Rede Globo por permitir esse movimento em prol da vida e dos direitos humanos, que a luta esteja apenas no início e não termine junto com a novela, como costuma acontecer!

::

Não posso deixar de destacar Miguel Roncato e Louise Cardoso, tocaram lá no fundo, trabalho lindo!