Instabilidade na grade da Record afasta telespectador


*Por Wander Veroni 

Se fizermos uma avaliação geral, 2011 foi um dos piores anos da Record, tanto de repercussão, quanto em audiência nacional dos seus programas. Grande parte das estreias ou lançamentos da emissora da Barra Funda foi um verdadeiro fracasso, fora as constantes mudanças de horários que deixa o telespectador confuso e não fideliza um horário para uma determinada faixa. Assim fica complicado e não há telespectador que aguente tantas mudanças. Fica claro a falta de profissionalismo e, o mais absurdo, de não saber se posicionar de forma estratégica, nem de respeitar o público, seja com os horários, seja com o conteúdo do que é exibido.

A título de um exemplo mais recente, só nesta semana, cancelaram do nada o vespertino docudrama “Marcas da Vida” e colocaram a minissérie bíblica “A História de Esther”, de um dia para o outro. Como a série também não deu a audiência esperada, transformaram 10 capítulos em 3, picotando o material, para que, na próxima semana, a grade da tarde volte “ao normal” com as exibições das reprises do “Tudo a Ver” e do seriado “Todo Mundo Odeia o Cris”. Assim fica muito, mais muito difícil entender aonde a Record quer chegar?

No passado não muito recente, o SBT cometeu o mesmo erro. Nenhum programa tinha um horário fixo e, se a audiência não correspondesse de forma esperada, o programa saia do ar de forma sumária ou sambava pela grade em horários diferentes até pontuar aquilo que a emissora considerava interessante. Felizmente, o SBT percebeu que isso era uma estratégia equivocada e que não fazia sentido. Como Boni já disse uma vez, “televisão é hábito”. Se você chega do trabalho e sabe que às 8 e pouco da noite passa o Jornal Nacional e depois a novela das 9 todo dia a chance de você ficar por ali é bem maior do que aquela outra TV que a cada dia o principal telejornal e a novela passam em um horário diferente.

Atualmente, com a possibilidade de gravar um programa ou mesmo assisti-lo pela internet, ninguém fica sentado na frente da TV até altas horas esperando para ver qual será a grade que determinada emissora vai colocar na data em questão, muito menos se não tiver uma boa estratégia de divulgação. Fidelizar o público é o grande X da questão! No entanto, mas do que as mudanças constantes de horário, outro grave problema da atual fase da Record é em relação ao conteúdo que está num nível muito inferior, sensacionalista e apelativo.

Por exemplo, nesta sexta-feira (16), assisti um trecho do programa “Hoje em Dia” com a participação da banda “Rebeldes”, formada em decorrência da novela de mesmo nome da Record em parceria com a Televisa. Não estou falando da atração – e isso vai do gosto de cada um, mas nunca vi um programa tão avacalhado como o que foi exibido. A produção confundiu informalidade com bagunça…era uma gritaria, gente falando ao mesmo tempo e os quatro apresentadores completamente perdidos no palco.

Sabe, custa fazer um programa organizado? Separar um momento para fazer entrevistas, outro para a banda tocar a música de trabalho e, posteriormente, responder as perguntas dos fãs – seja na porta da Record, por telefone, email ou Twitter? Fazia tempo que não via o “Hoje em Dia”. Se o programa desta sexta-feira (16) for tão bagunçado como o que eles transmitem diariamente faz todo sentindo o desgaste da atração e a consequente queda de audiência. Senti saudade da época do Britto Jr, da Ana Hickman e do Edu Guedes….o programa era mais organizado e gostoso de ver.

Ainda falando da revista eletrônica das manhãs da Record, não contente com o “salve-se quem puder”, a emissora de Edir Macedo determinou, nesta semana, o fim das edições regionais do “Hoje em Dia”, como uma forma de concentrar a atenção da produção do programa toda em São Paulo por conta da estreia, no ano que vem, do novo programa de Fátima Bernardes, nas manhãs da concorrente TV Globo. O que mais me chama atenção nessa história é a ignorância de jogar para alto o sucesso das edições regionais por conta de uma nova estratégia melindrosa. Já que a grade vespertina só passa reprise, não seria a hora da Record testar o formato do “Hoje em Dia – versões Regionais” no início da tarde, depois do Balanço Geral (em algumas praças), por exemplo, e deixar o “Hoje em Dia – versão nacional” apenas na parte da manhã?

Vamos organizar a casa, Bispos! É uma questão de bom senso e uma solução muito mais viável do que desativar vários núcleos de produção das principais Praças, por conta de mais uma estratégia mirabolante. A impressão que dá é que a Record não tem planejamento com nada e a cada momento tudo pode mudar. Alguns profissionais já perceberam isso e fizeram uma debandada no início do ano. Infelizmente, é aquela velha história: quem sair por último, apague a luz. É triste ver uma emissora que tinha tudo para estar brigando como gente grande pelo topo se comportar de maneira amadora. Lamentável!

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.

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