IURD e Record: um passo à frente, um passo para trás.

e todas as guerras que um telespectador poderia se deparar ao ligar sua televisão, ultimamente vem acontecendo um das mais inusitadas que qualquer pessoa com mais imaginação poderia supor. Mais do que a guerra entre países, do que primavera árabe, tomada e retomada de comunidades e batalhas de emissoras em busca de audiência, agora também pode assistir a briga entre igrejas de denominação evangélica. E isso, acontece nos mais variados aspectos: em pequenas coisas que vem tomando grande proporção.

Aqueles mais interessados em mídia ou quem tem mais disposição em acompanhar notícias sobre os bastidores da comunicação deve ter notado que há um certo mal estar de Edir Macedo por parte da música gospel fazerem sucesso fora de sua gravadora, principalmente aqueles que se aliaram a sua agora histórica adversária ao terem contrato com a Som Livre. Seu selo gospel vem fazendo sucesso a ponto de incomodar: o bastante para que sua emissora deixasse a utópica e alardeada independência editorial com relação a IURD tenha ido para as cucuias em prol de um ataque injustificável: em termos de fé e até de inteligência, caso a franqueza faça a diferença.

A banda Diante Do Trono, um dos maiores sucessos do gospel atual e contratada da Som Livre vem sendo atacada nos últimos tempos. Recentemente, esse ataque ganhou mais força quando o ‘Domingo Espetacular” dedicou uma infinidade de tempo para constranger as denominações rivais à de seu proprietário falando a respeito do que foi chamado de “cai-cai”: quando o pastor toca o corpo ou, de forma  mais comum a cabeça de seu fiel e ele cai, como em uma espécie de desmaio. O alvo é antigo: a vocalista da banda, Ana Paula Valadão foi acusada de edemoniada tempos atrás por tal prática, em setembro deste ano pelo próprio Edir Macedo.

O que significa? No mínimo uma falta de tato gigantesca, seja pela fé que ele prega quanto pela responsabilidade que um meio de comunicação exige em sua postura além ainda de inteligência. Cada pessoa tem sua forma de crer e vivenciar sua própria fé ou não tê-la. Isso é nato. Ninguém acha que Macedo goste de ver a credibilidade de sua igreja arranhada a cada denúncia em emissoras concorrentes.

Responsabilidade, pelo simples fato de ter poder de comunicação em mãos e não usá-lo de uma forma a ser julgada como no mínimo ética, visto que o tal jornalístico poderia prezar por qualquer qualidade, menos por premissas básicas de um jornalismo.

Quanto à inteligência, eis que vem a constatação banal: por acaso todo o público da célebre emissora da Barra Funda é composto por fiéis da IURD? Ou também não seria de fieis de outras denominações que pensavam em encontrar na Record uma alternativa de programação condizente aos seus ideais? Até que ponto sua sanha em ir contra as rivais e acusar os contrários a sua linha editorial de má vontade pode ser mais do que uma prática nada saudável para se tornar algo patológico?

Para quem deseja galgar posições tão altas, talvez seja hora de rever certos pontos, antes que a tal da credibilidade afunde de vez.


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* Perfil: Emanuelle Najjar – Jornalista, formada pela FATEA em 2008, pesquisadora da área de telenovelas. Editora do Limão em Limonada (limaoemlimonada.com.br)

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