Janete e Valéria vão ser censuradas no Metrô Zorra Brasil?

Era só o que estava faltando.

O Brasil é um país onde nada pode. Crianças não podem nada, a violência pode nos jornais e não na dramaturgia e pra tudo existe uma classificação.

Intensificar a educação nas escolas ninguém quer, culpar a televisão pela deseducação é mais fácil.

Muitos, por exemplo, vivem jogando na cara de Xuxa o fato de ter gravado um filme com uma criança com cenas mais ousadas. Engraçado que lá fora Nicole Kidman já dividiu uma banheira com um menor e não ouvi um “ai”.

Agora a moda é questionar os limites de Valéria e Janete, dizendo que incentivam os abusos em metrôs.

Poderia até incentivar caso Janete aceitasse sair com os homens que lhe passam a mão, mas não é o caso. Mesmo com a insistência de Valéria ela passa uma descompostura no sujeito, ou seja, dá um bom exemplo para as mulheres.

Agora, se Valéria aceita sair com o cara o problema é dela. Não foi abusada e tem o direito de sair com quem estiver com vontade.

Né?

Ao mesmo tempo aparece quem compara o Metrô com as declarações de Rafinha Bastos.

Como?

Ele disse que as mulheres feias deveriam dar graças a Deus quando estupradas e Janete, uma personagem tida como feia e que “não tá podendo escolher”, tem esse poder de decisão e prefere manter sua dignidade.

Ou seja, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Rafinha está passando dos limites há algum tempo e esse assunto será debatido na Ponto de Vista dessa semana.

Por ora, digo que é necessário sim existir um limite, mas não acho que seja o problema desse quadro em específico.

Mas a conclusão é que estamos virando o país onde as únicas histórias permitidas serão as de contos de fadas, afinal, a nossa realidade é tão A Bela Adormecida.



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