“Luciana By Night” tem estreia fraca, mas mostra potencial

Anunciado como substituto do Superpop, o talk show Luciana By Night acabou se tornando uma segunda atração sob o comando de Luciana Gimenez na RedeTV. Mas, se não foi desta vez que o espectador se livrou de debates infundados com convidados bizarros, regados a muito “abafa!”, “que mico!”, e outros bordões, ao menos a nova atração deu a chance de conferir que Luciana Gimenez pode ser maior do que é. Há 12 anos no ar, é inegável que Luciana aprendeu a ser apresentadora, e, hoje, é dona de um traquejo todo particular. Além disso, possui uma personalidade marcante.

Luciana By Night estreou na última terça-feira, 27, e mostrou que ainda carece de uma série de ajustes. Profundamente inspirado nos talk shows americanos, o programa entrou no ar mostrando um papo de comadres entre a anfitriã e a apresentadora Ana Hickmann, outra modelo que também faz carreira na TV. A visita foi uma retribuição à recente passagem de Luciana pelo Programa da Tarde, que Ana apresenta na Record. O bate-papo não rendeu, mesmo ocupando toda a hora do programa. Rasa e inconsistente, a conversa dispersou diante de tantos quadros estabelecidos, a maioria meio boboca.

O bom humor, um ponto forte de qualquer late show americano, não poderia ficar de fora de Luciana By Night. Para tanto, a atração tem em seu elenco o humorista Diogo Portugal, que assina os roteiros e serve de apoio à Luciana no próprio palco, fazendo eventuais intervenções. Diogo é bom, não há dúvidas, mas apareceu deslocado na estreia. Suas participações mais interrompiam do que divertiam. Já seu texto, lido por uma Luciana Gimenez debutando no stand up comedy na abertura do programa, é bom. O problema foi Luciana ter aparecido pouco à vontade, claramente seguindo o texto no teleprompter. Assim, o que foi verdadeiramente engraçado na estreia do Luciana By Night não foi o que era pra ser engraçado, e sim as situações de humor involuntário que surgiram.

Ou não foi engraçado ver Luciana e Ana, ambas de postura irretocável, se “desengonçando” tentando fazer imitações? No quadro em que as duas deviam adivinhar quem a outra imitava, não faltou vergonha alheia. Ana fez baixar uma “Maria Machadão” para remeter a Ivete Sangalo, ao invés de simplesmente cantarolar “e vai rolar a festa”. Além disso, arriscou umas caretas tentando se aproximar de Zacarias. Já Luciana, mais palhaça por natureza, não se fez de rogada ao levantar e arriscar versos de Sandra Rosa Madalena, numa tentativa de imitação de Sidney Magal. Luciana By Night fez rir sim, mas somente quando saía do script.

Enfileirados os principais pontos fracos do programa, vamos agora enaltecer o ponto forte: Luciana Gimenez. Claro que ela ainda está verde para encarnar Wanda Sykes e arrasar no stand up da abertura, mas a apresentadora tem presença, e isso é inegável. Quando ela se põe à vontade na condução de seu programa, a coisa flui naturalmente. Luciana carrega uma característica interessante: é bonita, tem uma postura elegante e uma boa voz. Tudo isso contrasta com sua linguagem simples, seu jeitão meio atrapalhado e a grande capacidade que tem de rir de si mesma. É como se ela descontruísse a imagem de mulher fina (não que ela não a seja), ao se permitir momentos de puro non sense. Seus anos à frente do Superpop, decisivamente, ajudaram a alimentar esta persona que, se bem trabalhada, pode fazê-la ir longe. Luciana Gimenez é uma boa apresentadora, afinal das contas!

Sendo assim, Luciana By Night teve uma estreia irregular. Falta ainda um maior cuidado na direção, para que a exploração da figura do convidado não se perca em meio a tantas atividades propostas ao longo do show. Isso pode fazer com que o programa fique atravancado, mais ou menos como era O Formigueiro, da Band, que não permitia que a entrevista se desenvolvesse quando armava todo tipo de quadro para o convidado embarcar. O entrevistado deve ser o foco principal e o humor deve entrar como apoio. São ajustes naturais que devem ocorrer conforme se ganhe mais experiência. No mais, o programa mostrou que tem potencial e pode dar um novo e interessante rumo à carreira de Luciana Gimenez.

Na mesma noite, a RedeTV também estreou Feira do Riso. E, ao contrário do programa que o sucedeu, Feira do Riso não mostra nenhum potencial. Pelo contrário, já nasceu com data de validade. O programa é péssimo em todos os sentidos: mal acabado, mal roteirizado, mal realizado. Parece uma produção caseira, feita no quintal de casa com uma tek pix. A claque insistente só serviu para irritar ainda mais o espectador. Trata-se do pior humorístico já visto na TV brasileira desde o Sem Controle, do SBT. Fuja!

Por André San


Blog: www.tele-visao.zip.net


E-mail: [email protected]


Twitter: @AndreSanBlog



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *