Malhação, um desgaste natural

Malhação completou dezessete anos em 2012. A estréia foi em abril de 1995 e por muitos anos a novelinha empolgou. Com o passar do tempo foi perdendo a força. Quando estreou a tv não tinha os concorrentes que tem hoje, principalmente a internet. O roteiro também foi ficando previsível: todo ano é a mesma coisa, um casalzinho é atrapalhado por um vilãozinho ou por uma vilãzinha.

A classificação indicativa também contribuiu para o declínio de Malhação. No horário praticamente nada pode ser retratado. Temas como: alcoolismo, uso de drogas, violência, dentre outros, praticamente não podem ser tratados ou quando são tem que ser de forma tão sutil, mas tão sutil que soa irreal. A novelinha não consegue há alguns anos retratar a verdadeira juventude brasileira.

Uma outra barreira é a forma como a Globo anda conduzindo as trocas de temporadas. É um erro o que a emissora está fazendo. A cada ano tudo muda. Antes ficava cerca de 30 ou 40 por cento do elenco anterior para dar base aos novos protagonistas, à nova história. Há uns 3 anos a emissora simplesmente joga tudo pro alto e começa do zero. Não sobra nenhum personagem e nem mesmo um cenário sequer da temporada anterior. Nos últimos tempos tivemos uma faculdade e o colégio já mudou de nome umas 3 vezes. O público todo ano tem que se acostumar com tudo, pois tudo é novo. Talvez isso explique porque nos últimos anos as temporadas de Malhação só reagem nos meses em que a temporada está chegando ao fim.

A Globo com a estrutura que tem poderia produzir pelo menos duas novelas jovens para o lugar de Malhação. Com duração de seis meses cada uma. Uma trama seria exibida seguida da outra, ou seja, enquanto passasse a temporada de uma a outra descansaria o que poderia causar mais expectativas e atrair mais atenção. Mas pelo visto Malhação, que há tempos passa longe da academia, irá continuar no ar por muitos e muitos anos, já que mesmo não marcando os altos índices de outrora, ainda segue em primeiro lugar com certa folga. Fico por aqui, um abraço e até a próxima.

* Gilmar JM



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