Mesmo com todos os ingredientes, A Fazenda 4 precisa por mais lenha na fogueira

23 de julho de 2011 0 Por Endrigo Annyston

*Por Wander Veroni 

Nesta terça-feira (19/07), a Rede Record estreou a quarta edição de #AFazenda. Apresentado por Britto Jr., o programa foi exibido às 22h50, pegando o telespectador de surpresa, numa tentativa de ganhar certa vantagem sobre a Rede Globo, que exibia a nova novela das 11h da noite, #OAstro. Durante toda exibição de #AFazenda4, o reality show da Record alcançou todas as nove palavras-chaves mais comentadas no Trendig Topics do Twitter – só não conseguiu as 10 hashtags, pois a primeira se tratava de uma ação promocional paga. Outra novidade bastante comentada foi a volta da Titia Monique Evans – numa vibe #MarceloDouradoFeelings, que concorreu na repescagem junto com outras duas primeiras eliminadas nas edições passadas.

Mais uma vez, a produção optou pela separação dos grupos, o que é uma forma de acirrar os ânimos dentro do Jogo de Convivência. No entanto, essa mesma produção ainda se mantém aquém dos acontecimentos, mesmo tendo todos os ingredientes na mão para fazer um bom programa. Mesmo erro das edições anteriores, a produção ainda peca por não colocar tanta lenha na fogueira, ao se mostrar passiva a espera de um barraco, gritaria ou confusão para ter um bom material para a “novelinha” diária. No primeiro dia, por exemplo, já seria interessante colocar os participantes no pique, seja numa prova de resistência ou em um Desafio, que já valeria uma imunidade e uma vaga na roça, por exemplo. Nada de moleza!

No mais, a volta de #AFazenda gerou muita expectativa no público e vários prognósticos de quem iria ou não entrar no programa, deixando muitos jornalistas e blogueiros confusos. Apenas o jornalista @fefito, do Blog Na TV, do @iG, havia divulgado os nomes corretos com meses de antecedência. Mesmo sendo exibido dez minutos mais cedo do que o anunciado, a estratégia, apesar dos pesares, teve o seu mérito. Em São Paulo, o reality rural obteve 16 pontos contra 19 da Globo. No Rio de Janeiro, a Record venceu por 21 a 20. Em comparação com os anos anteriores, a audiência apresentou uma ligeira queda: #AFazenda1 obteve 16 pontos; #AFazenda2 conquistou 18 pontos e a #AFazenda3 obteve 20 pontos no programa de estreia. Mas, mesmo com o índice de audiência em queda, #AFazenda4 estreou bem e tem segurado a vice-liderança cm folga.

Com um grupo de participantes bem eclético – sendo que alguns já possuem fama de barraqueiros aqui fora, como João Kléber, Renata Banhara, Dinei e Joana Machado; a nova temporada do reality show rural promete muitas confusões – o que é isso que o público do programa quer ver. Fato curioso foram as profissões colocadas no GC de alguns participantes no programa de estreua, como Renata Banhara que criou um novo ofício, o de “personalidade mídia”, além de ter afirmado que tem 18 anos de televisão. Aonde? Participação como convidada/entrevistada no Superpop e no TV Fama contam como tempo de trabalho em TV? Desde quando?

A título de comparação, diferente do Big Brother Brasil (BBB), os participantes de A Fazenda não passam o dia no ócio sonhando com a pseudo-fama que podem conquistar quando saírem da atração. Os peões têm o trabalho com os animais, com as plantas e com as provas em grupo do Desafio Semanal, ou seja, estão sempre com a mente articulando o tempo todo. Por já serem famosos, eles já tem uma pré-noção dos trabalhos que vão ter quando voltarem para o “mundo real”. Claro, tem alguns que sonham emplacar um quadro, programa ou mesmo uma vaga numa novela da Record. Normal….mas entre sonhar e conquistar há uma enorme diferença, repare só.

No, #BBB a fantasia de ser famoso é muito forte. Quantos ex-BBBs e ex-Fazenda emplacaram projetos de sucesso depois do confinamento? A minha teoria é que a Globo deveria por fim ao prêmio milionário e dar uma oportunidade do vencedor de ser ator ou apresentador que já teria participante se rasgando inteiro…rs. Foram poucos participantes na história do Big Brother que, realmente, queriam a grana e não a fama. Já na fazenda da Record, os participantes já são famosos ou estão engatinhando no meio artístico. Além disso, desde #AFazenda3 o prêmio de R$ 2 milhões tem mexido e muito com a cabeça dos peões, mostrando um verdadeiro desespero pelo dinheiro, além de uma extensão dos 15 minutos de fama e, de preferência, com muito din-din no bolso.

Uma observação que sempre faço, é que tanto o #BBB, quanto #AFazenda, são programas interessantes de serem analisados, do ponto de vista da comunicação. Por serem reality de show de confinamento (produzindo mini-novelinhas com o dia-dia dos participantes), eles são pioneiros aqui no Brasil ao trabalharem com o conceito de transmidia e crossmedia que, a grosso modo, significa pensar um programa não só para TV, mas para transmissão via internet (ao vivo ou com vídeo sob demanda), redes sociais, celular, tablet, rádio, impresso, etc., ou seja, fazer com o que programa transite em várias plataformas e que desperte repercussão instantânea (buzz) entre o público. Creio que é uma observação válida, principalmente para quem trabalha com comunicação ou é entusiasta do assunto.

Confesso que quando assisti ao segundo dia de #AFazenda4, fiquei com medo do marasmo tomar conta como aconteceu na segunda temporada. Muitos participantes fingindo serem bonzinhos, legais e engraçados, quando na verdade, está todo mundo segurando a onda para agradar ao público. Isso é totalmente #Fail! O telespectador de reality show é cruel e não gosta desse tipo de falsidade! Surpresa que promete movimentar o Jogo pela sagacidade de uma boa vilã, é Renata Banhara que já despertou antipatia por boa parte do público, mas que consegue ter uma visão de jogo interessante, a lá Nubia Ólive na saudosa primeira edição da Casa dos Artistas.

Arrisco a dizer que todo mundo ali de #AFazenda4 é da pá virada! Marlon – da dupla sertaneja Marlon e Maicon, que afirmou no vídeo de apresentação ser considerado por todos um “bom moço”, confessou no sofá da sala da fazenda para Renata Banhara, logo no segundo dia de programa, que traiu a ex-mulher com uma fã. João Kléber, com óculos e cachecol de vovó, sempre querendo se intrometer nas conversas que não é chamado é outro que tem tudo para ser outro vilão. Dinei, pagando de engraçado, já se mostrou um mala sem alça de primeira. Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, não causou e tem grandes chances de ser a samambaia da edição. François, o modelo bonitão que ninguém conhece, saiu do xaxim num súbito excesso de raiva ao ser mal interpretado numa conversa com Gui Pádua e Dinei. E para fechar com chave de ouro, a formação dos grupos e volta de Monique Evans, acirrou ainda mais a disputa que até então estava morna e sem sal. É…a produção escolheu a dedo esse elenco de sub-celebridades. Alguém ainda duvida que o bicho vai pegar? Só se a produção dormir no ponto.

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*Autor: Wander Veroni, 26 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV e especializado em mídias sociais. É autor do blog Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com). Twitter: @wanderveroni / @cafecnoticias.