Meu Lamento por Máscaras, a novela que não aconteceu

Chega ao fim Máscaras, a novela que NÃO aconteceu.

Esse é, sem dúvidas, o maior fracasso da Record em teledramaturgia, ouso dizer, de todos os tempos. Metamorphoses foi um notório fracasso, porém há o atenuante de que na época de sua exibição a emissora tinha uma estrutura muito inferior em relação a recente.  Máscaras que veio com uma proposta de inovação termina de maneira silenciosa, congelada como um navio que ficou preso numa geleira e dela jamais conseguiu sair. Uma obra perdida, incompreendida até certo ponto. Uma mancha simbólica na carreira de sucesso do autor Lauro Cesar Muniz. Justiça seja feita: a conta deve ser dividida também pela direção da emissora que não soube lidar muito bem com as adversidades e, como num círculo vicioso, acabou por agravando o fracasso ao remover a novela de seu horário clássico e a colocar num horário pouco acessível.

Máscaras vai embora sem nunca ter vindo de fato. Com repercussão nula, audiência pífia, a novela foi além de tudo, alvo  do abandono da própria emissora que de uma certa altura adiante parece ter colocado no piloto automático e deixado cumprir seus dias de “Sibéria” como se não existisse. É sempre um lamento quando uma obra que envolve tantos profissionais, tantos esforços para a sua produção, acabe assim. Marcada por polêmicas de bastidores como a que envolveu a atriz Luiza Tomé que protestou pelo fato de acreditar não ter recebido um papel justo do autor e de um abaixo-assinado do corpo de atores num esforço para pedir mais comedimento dos críticos-Máscaras vai saindo de cena com um gosto amargo. Mas há lições a se tirar disso tudo. A seguir.

LIÇÕES PRA SE TIRAR DE MÁSCARAS:

Obviamente não existem fórmulas mágicas e soluções milagrosas para tudo. Uma novela é uma obra regida como uma orquestra e depende muito de harmonia pra dar certo. Está, nesse sentido, a mercê de um conjunto de fatores. Direção, atuação e história pra ficar nos mais gerais.

Máscaras já se mostrou equivocada desde o início. A história fictícia que girava em torno de personagens com personalidades dúbias não foi bem aceita pelo público. A falta completa de maniqueísmo onde não se sabia quem era vilão e herói mostrou uma história confusa e incompreendida. O erro de Máscaras ocorreu, ao meu ver, exatamente pela ausência de maniqueísmo. Novela é, antes de tudo uma obra de ficção e como tal precisa de heróis e vilões. E heróis e vilões precisam estar devidamente delineados na tela para que o telespectador crie suas identificações. Essa é uma tradição mundial. Ponto.

Na contramão de uma tendência de novo público-alvo que surgiu com as mudanças estruturais na sociedade nos últimos tempos, Máscaras acumulou outro erro, a saber: elitizar quando a tendência era popularizar. Há muito que colegas discutem no CENA ABERTA sobre essa nova tendência, o que motivou a Globo a aumentar o tom em suas tramas com foco nas camadas populares. E foi assim que a Globo conseguiu estancar a tendência de queda que vinha sofrendo em suas tramas. Só pra se ter uma idéia, a atual trama global começou em um lixão; Máscaras começou em um luxuoso Transatlântico. Evidentemente devem ser respeitados a narrativa, contextualização e verossimilhança-ingredientes importantes para uma novela- mas em linhas gerais o foco é importante. É dessa perspectiva que o público vai ver a novela. A lógica de Joazinho Trinta segundo a qual “o povo quer ver luxo” deixou de existir. Ao menos nas telenovelas.

Lição pra se tirar disso tudo, portanto, é que uma novela é dirigida para o telespectador e, nesse sentido, todos os profissionais envolvidos e principalmente o autor precisam ter a sensibilidade para olhar sua obras à partir de quem está do outro lado da tela. Detectar tendências e desenvolver uma história em harmonia com essas tendências é de suma importância para o sucesso de uma trama.

Sempre discutimos no CENA ABERTA sobre qual seria o futuro de autores como Lauro Cesar Muniz nesse cenário de popularização das telenovelas. Haverá espaço para alguém que passou uma vida toda escrevendo novelas com temas de maior densidade??? O futuro trará a resposta.

PRA ENCERRAR:

Pra encerrar fica aqui meu lamento por Máscaras ter chegado ao fim de forma tão melancólica e silenciosa. De certo modo fico feliz por ter chegado ao fim porque é triste ver em tela tantos profissionais envolvidos com alma como fez Paloma Duarte, Benvindo Sequeira entre outros, num esforço pra salvar a novela e trazê-la para o rol de uma audiência decente. Não rolou e não foi por culpa do corpo de atores. Máscaras já havia sido julgada e condenada pelo público e o público sempre tem razão. Como tirar a razão do público?

Não rolou e espero do fundo do meu coração que todos os profissionais envolvidos em mais essa obra, pensem, reflitam e tirem suas conclusões. E sobretudo que tirem lições disso tudo.      

* do internauta Ary Nunes

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